Processo de consulta pública
Código da proposta: 5579
O projeto promove o Pagode Baiano como expressão afro-urbana, negra e periférica, por meio de vivências que estimulam autonomia, confiança, consciência corporal, criação e valorização da ancestralidade, fortalecendo a representatividade e o acesso à dança.
O projeto Quebre com as Negonas tem como proposta principal promover a difusão, valorização e democratização do Pagode Baiano, também conhecido como Pagodão, Swingueira ou Quebradeira, reconhecendo essa manifestação como uma expressão de dança afro-urbana, negra e periférica. Desenvolvido por mulheres artistas e pesquisadoras da dança, o projeto busca ampliar o acesso a essa linguagem corporal por meio de experiências práticas, formativas e culturais. A proposta parte da compreensão de que o corpo é um importante instrumento de expressão, identidade, memória e construção coletiva, utilizando a dança como ferramenta de autonomia, confiança e fortalecimento pessoal. As atividades pretendem proporcionar aos participantes o contato com os fundamentos, movimentos, ritmos e possibilidades criativas presentes no Pagodão, respeitando diferentes níveis de experiência e incentivando cada pessoa a desenvolver sua própria relação com a dança. Além do aprendizado técnico, o projeto propõe uma experiência de acolhimento, troca e empoderamento, criando um espaço seguro para que os participantes possam experimentar, criar e se expressar por meio do movimento. A iniciativa também valoriza as raízes ancestrais do Pagode Baiano e suas transformações ao longo do tempo, estabelecendo uma relação entre tradição, contemporaneidade e cultura urbana. Dessa forma, as vivências não se limitam à reprodução de coreografias, mas estimulam a compreensão da dança enquanto manifestação cultural e instrumento de ocupação de espaços. O projeto reconhece ainda a importância da presença e da representação de corpos negros em diferentes territórios culturais e artísticos, fortalecendo sua visibilidade e protagonismo. A trajetória do coletivo demonstra a relevância dessa proposta, que já alcançou espaços como SESC 14 Bis, SESC Pompeia, Centro de Referência da Dança de São Paulo, São Paulo Escola de Dança e Vale do Anhangabaú. Essas experiências evidenciam a capacidade do grupo de estabelecer diálogos com públicos diversos e levar o Pagodão para diferentes contextos. O projeto também pretende estimular a criação coletiva, a consciência corporal, a musicalidade, a coordenação motora e a liberdade de expressão dos participantes. Por meio das atividades, busca-se aproximar diferentes públicos de uma manifestação cultural que carrega referências afro-brasileiras, experiências periféricas e importantes processos de afirmação identitária. A proposta entende a dança como possibilidade de transformação, convivência e construção de vínculos, contribuindo para o desenvolvimento biopsicossocial e para a ampliação dos repertórios corporais. Ao ocupar espaços culturais e comunitários, o Quebre com as Negonas também contribui para democratizar o acesso à dança e fortalecer a circulação do Pagodão na cidade. Assim, o projeto une formação, cultura, memória, movimento e representatividade, criando oportunidades para que os participantes conheçam, vivenciem e valorizem essa linguagem. Mais do que ensinar passos, a iniciativa busca compartilhar conhecimentos, histórias e experiências construídas a partir do corpo e da cultura negra. O Quebre com as Negonas propõe, portanto, uma experiência artística e cultural que celebra o movimento, a ancestralidade, a identidade e a potência dos corpos, reafirmando o Pagodão como uma expressão cultural viva, contemporânea e capaz de promover encontro, pertencimento e transformação.
Vídeo externo
https://www.youtube.com/watch?v=VyOsqQuLEQY