Javascript não suportado Diretrizes para a contratação de projetos com uso de BIM - Coleção BIM SIURB
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Coleção BIM SIURB

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atualizado em 10 Out 2025
Texto
  1. Caderno 1 - Diretrizes para a contratação de projetos com uso de BIM  
  2. Caderno 2 - Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM  
  3. Caderno 3 - Diretrizes para a auditoria de projetos com uso de BIM

Caderno 1

Diretrizes para a contratação de projetos com uso de BIM  

OBSERVAÇÕES

Este documento é uma versão preliminar do Caderno 1, para discussão técnica e comentários em consulta pública. A formatação e diagramação deste documento não são finais e serão alteradas posteriormente.

Siglas e abreviaturas

Relação de abreviaturas e siglas utilizadas neste Caderno e que devem ser apresentadas ao público para melhor compreensão do conteúdo.

Institucionais

Técnicas

Termos e definições

Relação de termos e definições utilizados neste Caderno e que devem ser apresentados ao público para melhor compreensão do conteúdo.

Ambiente comum de dados (CDE)

Fonte centralizada de informações compartilhadas em um projeto ou ativo usada para coletar, gerenciar e disseminar cada contêiner de informação de forma controlada e colaborativa entre todas as partes envolvidas no empreendimento. O termo em inglês para Ambiente comum de dados é Common Data Environment (ABNT, 2022c).

Ativo

“Item, coisa ou entidade que tem valor potencial ou valor real para uma organização” (ABNT, 2022a).

BIM Collaboration Format (BCF)

Especificação técnica aberta desenvolvida pela buildingSMART, projetada principalmente para definir vistas de um modelo de construção e informações associadas sobre diversos tipos de requisições e relacionadas ao modelo. Estas vistas podem ser compartilhadas entre diferentes softwares BIM, assim como outros tipos de ferramentas, para facilitar a comunicação entre as partes. De modo amplo, compreende-se que as requisições estruturadas em BCF podem ser utilizadas como ferramentas para a gestão dos processos de projeto com base em BIM (buildingSMART Benelux, 2021).

BIM Execution Plan (BEP)

Ver Plano de execução BIM.

Building Information Modeling (BIM)

De acordo com Brasil (2024), BIM é o “conjunto integrado de processos e tecnologias que permite criar, utilizar, atualizar e compartilhar, colaborativamente, modelos digitais de uma construção, de forma a servir potencialmente a todos os participantes do empreendimento durante o ciclo de vida da construção”.

Ciclo de vida do ativo

Vida de um ativo desde as definições dos seus requisitos até o término do uso, incluindo a concepção, desenvolvimento, operação, manutenção e descarte (ABNT, 2022a, adaptação nossa).

Comma-separated values (CSV)

Formato de arquivo utilizado para realizar trocas de dados entre softwares de forma simplificada. Os dados armazenados são separados por delimitadores, que podem ser vírgulas, tabulações, ponto e vírgula, entre outros.

Common Data Environment (CDE)

Ver Ambiente comum de dados.

Computer-aided design (CAD)

Designa o uso de computador para projeto e desenho (ISO, 2017). A tradução direta do termo Computer-aided design é “desenho assistido por computador”.

Documento técnico

Conjunto de informações estruturadas de forma a compor uma unidade lógica, registrado em formato analógico ou digital, com o propósito de ser utilizado para consulta, estudo ou validação técnica (adaptado de EMTU, 2018).

Elemento da construção

“Parte constituinte de uma unidade da construção, com uma função, forma ou posicionamento característicos” (ABNT, 2018). Em um modelo BIM, os elementos da construção são constituídos por geometrias associadas a outros objetos, como propriedades e instruções computacionais, que definem seu estado, comportamentos ou relações em um ambiente de trabalho orientado a BIM.

Escaneamento a laser (Laser scanning)

Tecnologia de captura de realidade a partir de varredura laser de alta precisão para geração de nuvem de pontos.

Fase operacional

Fase do ciclo de vida em que ocorre o uso, a operação e a manutenção do ativo (ABNT, 2022a).

Formato de arquivo

Uma forma padrão de codificação de informações para armazenamento em um arquivo de computador. Ele define como os bits são usados para codificar informações em um meio de armazenamento digital. As especificações técnicas que definem como funciona um formato de arquivo podem ser proprietárias ou abertas.

Sistema de informação geográfica (GIS ou SIG)

Plataforma tecnológica que integra hardware, software e dados geoespaciais para capturar, armazenar, manipular, analisar e exibir informações geográficas. Permite visualizar e analisar dados relacionados à localização, facilitando a identificação de padrões, relações e tendências espaciais.

Industry Foundation Classes (IFC)

De acordo com a buildingSMART, IFC é uma descrição digital padronizada do ambiente construído, incluindo edifícios e infraestrutura civil. É uma especificação aberta, agnóstica e utilizável em uma ampla gama de dispositivos de hardware, plataformas de software e interfaces para muitos casos de uso. O IFC foi publicado como norma ABNT em 2023 (ABNT, 2023). Por ser uma especificação técnica que oferece um formato de arquivo de entrega de modelos BIM aberto, atende aos requisitos do Decreto 10.306/2020 e do Art. 19º da Lei 14.133/2021 (Brasil, 2020a, 2021a).

Informação da construção

“Informação de interesse em um processo da construção” (ABNT, 2018). Para este trabalho, a Informação da construção é composta por entregáveis de projetos, como modelos BIM, desenhos, templates, relatórios, entre outros.

Marco digital de referência (MDR)

Ponto de referência digital, previamente determinado pelo contratante e distribuído a todos os contratados, utilizado para o posicionamento coordenado de modelos BIM e modelos digitais de terreno. Quando o serviço em BIM for geograficamente posicionado, o MDR deve ser relacionado a um marco geodésico posicionado em um local próximo à execução da obra e que tenha sido, portanto, identificado em levantamento topográfico previamente executado. Caso contrário, o MDR deverá ser digitalmente posicionado em um local de interesse da contratante.

Modelo 3D

Representação gráfica tridimensional de um empreendimento gerado a partir de uma tecnologia CAD.

Modelo BIM

Base de dados fundamentada em objetos virtuais, que contém informações codificadas e incorpora seus relacionamentos, o que possibilita diversas visualizações, organizações e cálculos que integram informações gráficas e não gráficas (Brasil, 2020a).

Modelo da informação da construção

Representação digital das características físicas e funcionais de um ambiente construído, que serve como um recurso compartilhado de conhecimentos representando elementos da construção com propriedades e atributos que os descrevem tecnicamente (NIBS, 2024).

Modelo de coordenação

Tipo de modelo da informação da construção formado por dois ou mais modelos BIM que deve ser utilizado para o desenvolvimento de atividades de coordenação de projetos.

Modelo digital de elevação (MDE)

Representação de uma superfície com níveis de altitude que são atribuídos algoritmicamente a coordenadas bidimensionais (ISO, 2016b, tradução e adaptação nossa).

Modelo digital de superfície (MDS)

Modelo digital de elevação que representa as cotas das superfícies do topo de edifícios, árvores, torres e outros elementos elevados acima do solo (ISO, 2016b, tradução e adaptação nossa).

Modelo digital de terreno (MDT)

Modelo digital de elevação que apresenta a superfície de importantes elementos topográficos do terreno. Os MDTs são compostos por pontos de relevo e curvas de nível, que são irregularmente espaçados para melhor caracterizar a verdadeira forma do terreno (ISO, 2016b, tradução e adaptação nossa).

Nuvem de pontos

Coleção de pontos apresentada em um ambiente tridimensional digital e intangível que representa um ambiente tangível, natural ou construído.

Objeto

Qualquer parte do mundo perceptível ou concebível. Um objeto é algo abstrato ou físico para o qual são direcionados o pensamento, o sentimento ou a ação (ABNT, 2018).

Objeto da construção

Tipo de objeto “de interesse e relevância no contexto do processo da construção” (ABNT, 2018).

Pacote

Conjunto de documentos técnicos produzidos e apresentados pelo projetista ao cliente como forma de comprovar a prestação de serviços de arquitetura, urbanismo e engenharia. Termo utilizado no caderno para identificar este conjunto de documentos.

Plano de execução BIM (BEP)

Documento que explana como os aspectos da gestão da informação do contrato serão conduzidos pela equipe de entrega (ABNT, 2022a). O termo em inglês para Plano de execução BIM é BIM execution plan (BEP).

Portable document format (PDF)

Formato digital para a representação de documentos eletrônicos que permite a troca e visualização de seus conteúdos, independentemente do ambiente em que foram criados, exibidos ou impressos (ABNT, 2019a).

Ciclo de vida do ativo

Vida de um ativo desde as definições dos seus requisitos até o término do uso, incluindo a concepção, desenvolvimento, operação, manutenção e descarte (ABNT, 2022a, adaptação nossa).

Comma-separated values (CSV)

Formato de arquivo utilizado para realizar trocas de dados entre softwares de forma simplificada. Os dados armazenados são separados por delimitadores, que podem ser vírgulas, tabulações, ponto e vírgula, entre outros.

Common Data Environment (CDE)

Ver Ambiente comum de dados.

Computer-aided design (CAD)

Designa o uso de computador para projeto e desenho (ISO, 2017). A tradução direta do termo Computer-aided design é “desenho assistido por computador”.

Documento técnico

Conjunto de informações estruturadas de forma a compor uma unidade lógica, registrado em formato analógico ou digital, com o propósito de ser utilizado para consulta, estudo ou validação técnica (adaptado de EMTU, 2018).

Elemento da construção

“Parte constituinte de uma unidade da construção, com uma função, forma ou posicionamento característicos” (ABNT, 2018). Em um modelo BIM, os elementos da construção são constituídos por geometrias associadas a outros objetos, como propriedades e instruções computacionais, que definem seu estado, comportamentos ou relações em um ambiente de trabalho orientado a BIM.

Escaneamento a laser (Laser scanning)

Tecnologia de captura de realidade a partir de varredura laser de alta precisão para geração de nuvem de pontos.

Fase operacional

Fase do ciclo de vida em que ocorre o uso, a operação e a manutenção do ativo (ABNT, 2022a).

Formato de arquivo

Uma forma padrão de codificação de informações para armazenamento em um arquivo de computador. Ele define como os bits são usados para codificar informações em um meio de armazenamento digital. As especificações técnicas que definem como funciona um formato de arquivo podem ser proprietárias ou abertas.

Sistema de informação geográfica (GIS ou SIG)

Plataforma tecnológica que integra hardware, software e dados geoespaciais para capturar, armazenar, manipular, analisar e exibir informações geográficas. Permite visualizar e analisar dados relacionados à localização, facilitando a identificação de padrões, relações e tendências espaciais.

Industry Foundation Classes (IFC)

De acordo com a buildingSMART, IFC é uma descrição digital padronizada do ambiente construído, incluindo edifícios e infraestrutura civil. É uma especificação aberta, agnóstica e utilizável em uma ampla gama de dispositivos de hardware, plataformas de software e interfaces para muitos casos de uso. O IFC foi publicado como norma ABNT em 2023 (ABNT, 2023). Por ser uma especificação técnica que oferece um formato de arquivo de entrega de modelos BIM aberto, atende aos requisitos do Decreto 10.306/2020 e do Art. 19º da Lei 14.133/2021 (Brasil, 2020a, 2021a).

Informação da construção

“Informação de interesse em um processo da construção” (ABNT, 2018). Para este trabalho, a Informação da construção é composta por entregáveis de projetos, como modelos BIM, desenhos, templates, relatórios, entre outros.

Marco digital de referência (MDR)

Ponto de referência digital, previamente determinado pelo contratante e distribuído a todos os contratados, utilizado para o posicionamento coordenado de modelos BIM e modelos digitais de terreno. Quando o serviço em BIM for geograficamente posicionado, o MDR deve ser relacionado a um marco geodésico posicionado em um local próximo à execução da obra e que tenha sido, portanto, identificado em levantamento topográfico previamente executado. Caso contrário, o MDR deverá ser digitalmente posicionado em um local de interesse da contratante.

Modelo 3D

Representação gráfica tridimensional de um empreendimento gerado a partir de uma tecnologia CAD.

Modelo BIM

Base de dados fundamentada em objetos virtuais, que contém informações codificadas e incorpora seus relacionamentos, o que possibilita diversas visualizações, organizações e cálculos que integram informações gráficas e não gráficas (Brasil, 2020a).

Modelo da informação da construção

Representação digital das características físicas e funcionais de um ambiente construído, que serve como um recurso compartilhado de conhecimentos representando elementos da construção com propriedades e atributos que os descrevem tecnicamente (NIBS, 2024).

Modelo de coordenação

Tipo de modelo da informação da construção formado por dois ou mais modelos BIM que deve ser utilizado para o desenvolvimento de atividades de coordenação de projetos.

Modelo digital de elevação (MDE)

Representação de uma superfície com níveis de altitude que são atribuídos algoritmicamente a coordenadas bidimensionais (ISO, 2016b, tradução e adaptação nossa).

Modelo digital de superfície (MDS)

Modelo digital de elevação que representa as cotas das superfícies do topo de edifícios, árvores, torres e outros elementos elevados acima do solo (ISO, 2016b, tradução e adaptação nossa).

Modelo digital de terreno (MDT)

Modelo digital de elevação que apresenta a superfície de importantes elementos topográficos do terreno. Os MDTs são compostos por pontos de relevo e curvas de nível, que são irregularmente espaçados para melhor caracterizar a verdadeira forma do terreno (ISO, 2016b, tradução e adaptação nossa).

Nuvem de pontos

Coleção de pontos apresentada em um ambiente tridimensional digital e intangível que representa um ambiente tangível, natural ou construído.

Objeto

Qualquer parte do mundo perceptível ou concebível. Um objeto é algo abstrato ou físico para o qual são direcionados o pensamento, o sentimento ou a ação (ABNT, 2018).

Objeto da construção

Tipo de objeto “de interesse e relevância no contexto do processo da construção” (ABNT, 2018).

Pacote

Conjunto de documentos técnicos produzidos e apresentados pelo projetista ao cliente como forma de comprovar a prestação de serviços de arquitetura, urbanismo e engenharia. Termo utilizado no caderno para identificar este conjunto de documentos.

Plano de execução BIM (BEP)

Documento que explana como os aspectos da gestão da informação do contrato serão conduzidos pela equipe de entrega (ABNT, 2022a). O termo em inglês para Plano de execução BIM é BIM execution plan (BEP).

Portable document format (PDF)

Formato digital para a representação de documentos eletrônicos que permite a troca e visualização de seus conteúdos, independentemente do ambiente em que foram criados, exibidos ou impressos (ABNT, 2019a).

Introdução

  1. Objetivos gerais

A adoção do BIM pela SIURB tem o propósito de fomentar a inovação e o desenvolvimento tecnológico no setor público, alinhando-se à Estratégia Nacional BIM-BR (Decreto nº 11.888/2024) e às diretrizes da SIURB como órgão executor de obras estratégicas no Município de São Paulo.

A SIURB visa, por meio da definição de diretrizes e parâmetros para o uso de BIM: (i) promover a modernização dos processos de elaboração de licitações, contratações e da gestão pública de projetos, bem como de execução de obras e serviços de infraestrutura urbana e edificações; (ii) melhor atender aos princípios fundamentais de padronização, planejamento, eficiência, celeridade, economicidade e transparência estabelecidos pela legislação federal (Lei nº 14.133/2021) e municipal (Decreto n° 62.100/2022).

    1. Sobre a Coleção BIM SIURB

A consolidação de diretrizes para o uso de BIM que atendam às necessidades de uma instituição da relevância da SIURB é o resultado de discussões e pesquisas aprofundadas, que articulam os objetivos organizacionais da Secretaria aos mais atuais processos de trabalho baseados em BIM.

Para que esta missão pudesse ser cumprida com excelência, foi criada a Coleção BIM SIURB. No momento da publicação deste Caderno, a Coleção é composta por:

O Caderno 1 tem por objetivo tornar públicas as bases conceituais e técnicas utilizadas pela SIURB para realizar contratações de serviços relacionados ao uso de BIM.

Este caderno orienta a adoção de BIM nos processos licitatórios, com ênfase nas fases preparatória e de divulgação do edital de licitação, definidas pelo Art. 17 da Lei nº 14.133/2021 (Brasil, 2021b). Além disso, os processos de licitação da SIURB devem atender aos requisitos específicos dispostos no Decreto Municipal n° 62.100/22 (PMSP, 2022) e o que vier a substituí-lo.

Para esse fim, este Caderno apresenta seus objetivos, escopo e pressupostos (Capítulo 1), seguidos do arcabouço regulatório e normativo relacionado ao BIM, abrangendo leis, decretos, portarias, instruções normativas do poder público e normas técnicas ABNT e ISO (Capítulo 2). O Capítulo 3 traz um breve histórico da adoção de BIM pelo Município de São Paulo, enquanto o Capítulo 4 apresenta uma caracterização institucional do Departamento de Projetos da SIURB e de seus objetivos específicos com a adoção de BIM.

Em seguida, são definidas as diretrizes para contratação de serviços em BIM que deverão fazer parte dos Termos de Referência das licitações (Capítulo 5). Para orientar a fase de execução do contrato, o Caderno também apresenta o modelo de execução do objeto adotado pela SIURB e diretrizes para entrega dos produtos contratados (Capítulo 6). O Capítulo 7 detalha o modelo de gestão do contrato adotado pela SIURB, definindo os atores envolvidos, os mecanismos de comunicação e os critérios de medição e de pagamento, no que se refere ao uso de BIM. Por fim, são apresentadas as referências utilizadas pela Coleção BIM SIURB.

    1. Significado atribuído ao BIM

Ao longo do tempo, o termo Building Information Modeling e o acrônimo BIM têm recebido diversas atribuições de significado. A explicitação do significado atribuído ao BIM é fundamental para a compreensão do conteúdo deste documento, pois é a definição atribuída ao BIM que dá lastro a todas as outras diretrizes aqui apresentadas (Gaspar, 2019).

A Coleção BIM SIURB adota, como significado atribuído ao Building Information Modeling (BIM), o disposto pelo Decreto 11.888/2024 (Brasil, 2024):

“conjunto integrado de processos e tecnologias que permite criar, utilizar, atualizar e compartilhar, colaborativamente, modelos digitais de uma construção, de forma a servir potencialmente a todos os participantes do empreendimento durante o ciclo de vida da construção”.

    1. Pressupostos

Para que as diretrizes apresentadas ao longo deste caderno sejam aplicáveis às contratações que requisitem o uso de modelos BIM, devem ser considerados os seguintes pressupostos:

  • A modelagem da informação da construção (BIM) é adequada ao objeto da licitação, conforme o Art. 19º, Inciso V, § 3º da Lei 14.133/2021 (Brasil, 2021b).
  • As definições relacionadas a BIM descritas por este Caderno serão consideradas subsidiárias, ou subordinadas, ao objeto principal da licitação.
  • Os serviços que resultam na entrega de modelos BIM orientados ao desenvolvimento de projetos devem ser considerados como parte dos serviços técnicos especializados de natureza predominantemente intelectual para arquitetura e engenharia. Tais serviços só podem ser realizados com a participação efetiva e autoria declarada de profissional legalmente habilitado e registrado pelo respectivo Conselho Regional: (i) pelo CREA quanto aos engenheiros, conforme a Lei 5.194/1966, ou; (ii) pelo CAU quanto aos arquitetos e urbanistas, conforme o Art. 5º da Lei 12.378/2010 (SINAENCO, 2024).
  • Ao conceber, coordenar, auditar ou validar um projeto com requisição do uso de BIM, o principal documento técnico emitido pelo licitante é um modelo BIM, pois é a partir dele que são extraídos outros documentos técnicos, como pranchas com desenhos técnicos, memoriais descritivos, memórias de cálculo, relatórios, entre outros (ver item 5.3).
  1. Arcabouço regulatório e normativo

Esta seção apresenta a relação de leis, decretos, portarias e normativas sobre BIM que orientaram a elaboração das diretrizes apresentadas neste Caderno.

    1. Legislação federal relacionada ao BIM

A Lei 14.133/2021, Lei de Licitações e Contratos Administrativos, estabelece normas gerais de licitação e contratação, determinando que:

Art.19 – Os órgãos da Administração com competências regulamentares relativas às atividades de administração de materiais, de obras e serviços e de licitações e contratos deverão:

(...)

§ 3º Nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura, sempre que adequada ao objeto da licitação, será preferencialmente adotada a Modelagem da Informação da Construção (Building Information Modeling – BIM) ou tecnologias e processos integrados similares ou mais avançados que venham a substituí-la.

    1. Decretos do poder executivo federal

DECRETO Nº 11.888, DE 22 DE JANEIRO DE 2024: Dispõe sobre a Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling e institui o Comitê Gestor da Estratégia do Building Information Modeling. Revoga o Decreto nº 9.983, de 2019.

DECRETO Nº 10.306, DE 2 DE ABRIL DE 2020: Estabelece a utilização do Building Information Modeling na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia realizada pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling - Estratégia BIM BR.

    1. Decretos e portarias municipais

DECRETO Nº 62.100 DE 27 DE DEZEMBRO DE 2022: “Dispõe sobre normas de licitação e contratos administrativos para a Administração Pública direta, autárquica e fundacional do Município de São Paulo, nos termos previstos na Lei Federal nº 14.133, de 1º de abril de 2021, bem como consolida a regulamentação da matéria em âmbito municipal” por meio do artigo:

Art. 18. Caberá à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras:

I - instituir o sistema informatizado de acompanhamento de obras;

II - padronizar tecnicamente a contratação de obras e serviços de engenharia, no que couber;

III - promover a adoção gradativa de tecnologias e processos integrados que permitam a criação, a utilização e a atualização de modelos digitais de obras e serviços de engenharia;

PORTARIA SECRETARIA MUNICIPAL DE INFRAESTRUTURA URBANA E OBRAS - SIURB Nº 34 DE 8 DE OUTUBRO DE 2018: “Constitui Comissão Especial, destinada especialmente para tratar dos assuntos relacionados ao Chamamento Público para doações de bens e serviços à Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, necessários à implantação de um Laboratório BIM – LaBIM.”

PORTARIA SECRETARIA MUNICIPAL DE INFRAESTRUTURA URBANA E OBRAS - SIURB Nº 16 DE 24 DE MAIO DE 2023: “Determina que as licitações de obras e serviços de engenharia que se enquadrem nas hipóteses que especifica poderão ser realizadas de forma presencial” na qual aborda o BIM por meio do artigo:

Art. 3º Em atendimento ao §3º do Art. 19 da Lei 14.133/2021, fica estabelecido o prazo de 01 (um) ano, prorrogável por igual período, à critério da Administração, a contar da publicação desta Portaria, para estudos, testes e adaptação do uso da metodologia BIM pela SIURB, período em que será definido a plataforma/software padrão a ser utilizada no âmbito da Prefeitura do Município de São Paulo.

PORTARIA Nº 035/SIURB GAB/2024: Cria o Grupo de Trabalho para implantação e uso da metodologia BIM no âmbito da SIURB.

    1. Normas ABNT e ISO

ABNT NBR ISO 16739-1:2023. Industry Foundation Classes (IFC) para o compartilhamento de dados pelas indústrias da construção e da gestão de facilities. Parte 1: Esquema de dados.

ABNT NBR ISO 12006-2:2018. Construção de edificação – Organização de informação da construção. Parte 2: Estrutura para classificação.

ABNT NBR 15965-1:2011. Sistema de classificação da informação da construção. Parte 1: Terminologia e estrutura.

ABNT NBR 15965-2:2012. Sistema de classificação da informação da construção. Parte 2: Características dos objetos da construção.

ABNT NBR 15965-3:2014. Sistema de classificação da informação da construção. Parte 3: Processos da construção.

ABNT NBR 15965-4:2021. Sistema de classificação da informação da construção. Parte 4: Recursos da construção.

ABNT NBR 15965-5:2022. Sistema de classificação da informação da construção. Parte 5: Resultados da construção.

ABNT NBR 15965-6:2022. Sistema de classificação da informação da construção. Parte 6: Unidades e espaços da construção.

ABNT NBR 15965-7:2015. Sistema de classificação da informação da construção. Parte 7: Informação da construção.

ABNT NBR ISO 19650-1:2022. Organização da informação acerca de trabalhos da construção – Gestão da informação usando a modelagem da informação da construção. Parte 1: Conceitos e princípios.

ABNT NBR ISO 19650-2:2022. Organização da informação acerca de trabalhos da construção – Gestão da informação usando a modelagem da informação da construção. Parte 2: Fase de entrega de ativos.

ABNT PR 1015:2022. Ambiente Comum de Dados (CDE).

ISO 12911: 2023. Organization and digitization of information about buildings and civil engineering works, including Building Information Modelling (BIM) - Framework for specification of BIM implementation.

ISO 16739-1: 2024. Industry Foundation Classes (IFC) for data sharing in the construction and facility management industries. Part 1: Data schema.

ISO 29481-1: 2016. Building information models - Information delivery manual - Part 1: Methodology and format.

ISO 29481-2: 2012. Building information models - Information delivery manual - Part 2: Interaction framework.

  1. Histórico da adoção de BIM pela PMSP

O primeiro registro oficial encontrado a respeito do uso de BIM na Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) data de 2018, quando a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras da PMSP (SIURB) publica a Portaria Nº 34/2018, com o objetivo de implantar um Laboratório BIM (SIURB, 2018). Como resultado, a SIURB publicou em 2021 uma biblioteca de objetos BIM, produzida em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) e disponibilizada no portal “SIURB Digital” (SIURB; FDTE, 2021).

O material produzido, somado ao interesse da SIURB na melhoria contínua de seus processos, teve como desdobramento a formação de um grupo de trabalho (GT-BIM) da SIURB, em 2024, dedicado a consolidar e atualizar o conhecimento em BIM das equipes, o que culminou na elaboração desta Coleção BIM SIURB durante o ano de 2025.

Para além do contexto da SIURB, merecem destaque as iniciativas de adoção de BIM pela Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo (SEHAB) e pela SPObras, brevemente relatados a seguir.

    1. SEHAB
      1. Projeto-piloto: Jardim Esmeralda

No âmbito do desenvolvimento de projetos e obras, as primeiras experiências com a adoção de BIM pela Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) são de responsabilidade da SEHAB. Em 2019, a equipe de arquitetura e engenharia da SEHAB manifestou a intenção de utilizar BIM para verificação da qualidade de projetos. Decidiu-se, então, utilizar o empreendimento Jardim Esmeralda como projeto-piloto. Assim, projetistas, a gerenciadora e a equipe da SEHAB se dedicaram a produzir modelos BIM dos edifícios de Habitação de Interesse Social (HIS) do projeto.

No início de 2023, com o início da construção do Bloco A do Jardim Esmeralda, a equipe de gerenciamento e fiscalização da obra já era capaz de visualizar os modelos BIM em dispositivos móveis (celulares e tablets) visualmente sobrepostos ao canteiro por meio de realidade aumentada. Essa foi a primeira experiência documentada de uso de BIM na execução de obras de HIS.

      1. Operação Urbana Consorciada Água Espraiada (OUCAE)

O projeto piloto do Jardim Esmeralda serviu de aprendizado para que a SEHAB incluísse a requisição de uso de BIM na Concorrência Nº008/SEHAB/2020 (SEHAB, 2020), cujo objeto foi a elaboração de projetos de HIS no âmbito da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada (OUCAE). Trata-se de um empreendimento composto por onze edificações, distribuídas em três lotes. Para dar suporte aos processos de recebimento, análise e medição dos serviços executados em BIM, a SEHAB publicou, como anexo ao edital, a primeira edição do seu Caderno de Projetos em BIM.

As diretrizes e regras apresentadas no Caderno foram estruturadas com o apoio de diversos documentos complementares, como o Caderno de Modelagem BIM: projetos de HIS (SEHAB; CONSÓRCIO SLP – S2, 2022b), planilhas de elementos e templates de Plano de Execução BIM (BEP), mapas de memória de cálculo, entre outros.

A adoção de BIM pela SEHAB pode ser considerada inovadora por se tratar da primeira licitação documentada, conduzida por uma prefeitura, para contratação de projetos de HIS com medição baseada na auditoria de modelos BIM. Essa auditoria seguiu um modelo de execução baseado em pacotes de entrega multidisciplinares e marcos de validação, o que contribuiu para a melhoria da qualidade e eficiência dos projetos, com a eliminação de conflitos geométricos e o atendimento a regras tradicionais de projeto.

    1. SPObras
      1. Monitoramento de Pontes e Viadutos

A SIURB implantou em parceria com a SPObras, em outubro de 2023, um sistema de monitoramento remoto para as pontes e viadutos da cidade de São Paulo. A iniciativa, inédita no mundo, permite o acompanhamento contínuo de 945 estruturas por meio de uma Central de Gestão e Visão Situacional de OAEs (SIURB, 2025).

O sistema conta com ferramentas como imagens de satélite com leitura de movimentação da superfície, videomonitoramento, imagens de drones, escaneamento a laser, GIS e modelos BIM, além de monitoramento de portais de notícias e redes sociais. Essa abordagem integrada viabiliza respostas mais ágeis e precisas às anomalias estruturais, reduzindo deslocamentos desnecessários de equipes e otimizando o uso de recursos públicos. O sistema demonstrou alta eficácia ao detectar, em tempo real, eventos críticos, como danos estruturais e impactos externos, permitindo intervenções imediatas.

A adoção de BIM para fornecer representações digitais precisas das estruturas contribui para o planejamento e a manutenção preventiva, alinhando-se às melhores práticas de gestão de ativos urbanos. A experiência evidencia os benefícios da digitalização na infraestrutura pública, com ganhos em segurança, eficiência operacional e transparência. A iniciativa tem atraído a atenção de outros órgãos públicos e instituições especializadas, consolidando-se como referência em inovação na gestão de OAEs.

      1. Terminal Itaquera

O contrato para o Terminal Itaquera, sob gestão da SPObras, data de 2023 e marca a retomada de uma obra parcialmente executada entre 2014 e 2018.

Por se tratar de uma obra de grande porte com projetos executivos já existentes, o empreendimento foi adotado como projeto-piloto para a implantação BIM na SPObras. O uso do BIM teve como principais objetivos a compatibilização dos projetos, o apoio ao acompanhamento e à fiscalização da obra, além do planejamento de obra por meio do sequenciamento das etapas de construção.

O trabalho inclui o levantamento das condições existentes por meio de escaneamento a laser (“nuvens de pontos”), elaboração de modelos BIM a partir dos projetos 2D existentes e análise das interferências (“clashes” e inconsistências). Foram registrados no ambiente comum de dados (CDE): solicitações de ajustes nos modelos (“issues” ou “ocorrências”), análise das informações dos elementos dos modelos para a extração de quantitativos e sequenciamento de obra, além do registro diário de andamento da obra.

A SPObras tem aprendido diversas lições com o projeto-piloto, especialmente sobre fluxos de análise e aprovação dos modelos. Tem se mostrado de fundamental importância, para futuros projetos, a preparação inicial para os trabalhos com requisição de modelos BIM, que pressupõe a adequada definição de instruções e requisitos.

    1. Relatórios de supervisão que mencionam BIM

Abaixo uma lista dos relatórios elaborados pelo Consórcio INFRASP, contrato 301/SIURB/23, que contém assuntos relacionados a BIM e cujas pesquisas informaram a concepção dos cadernos e da Coleção BIM SIURB.

    1. Linha do tempo das iniciativas sobre BIM na SIURB

A linha do tempo abaixo mostra as diferentes iniciativas relacionadas a BIM na SIURB e outros órgãos relevantes:

Figura 2 - Linha do tempo das iniciativas BIM

  1. Sobre a SIURB e a adoção de BIM
    1. Objetivos específicos

Além dos objetivos gerais expostos no Capítulo 1, a SIURB visa os seguintes objetivos específicos com a adoção de BIM:

  1. Promover maior previsibilidade, controle e qualidade em suas atividades por meio da utilização e padronização dos processos e tecnologias mais atuais.
  2. Definir diretrizes e parâmetros para elaboração, contratação e fiscalização dos projetos com uso de modelos BIM.
  3. Definir diretrizes e parâmetros para execução, contratação e fiscalização de obras com uso de modelos BIM.
  4. Reduzir a ocorrência de aditivos contratuais por meio da mitigação de incompatibilidades nos projetos e do aumento da previsibilidade de custos e prazos.
  5. Fortalecer o planejamento, a fiscalização, o controle e o gerenciamento de projetos através do uso de modelos BIM de forma controlada e colaborativa, disponíveis em fonte centralizada de informações (Ambiente Comum de Dados).
  6. Fortalecer o planejamento, a fiscalização, o controle e o gerenciamento de obras, com o uso de modelos BIM auditados segundo regras objetivas e critérios numericamente mensuráveis.
  7. Promover a interoperabilidade e a transparência por meio do uso de arquivos baseados em especificações técnicas abertas, como IFC, BCF, E57, PDF, entre outros.
  8. Aumentar a eficiência na elaboração de orçamentos e medições, com base em quantificações extraídas diretamente dos modelos BIM, respeitando-se os requisitos de modelagem estabelecidos em contrato.
  9. Promover a capacitação técnica-profissional dos servidores públicos envolvidos.
  10. Garantir a implantação da infraestrutura tecnológica necessária (rede, armazenamento e processamento de dados, equipamentos, softwares etc.) para a adequada elaboração, fiscalização e gestão de projetos e obras com uso de modelos BIM.
    1. Tipos de projetos e Divisões na SIURB

Os projetos sob responsabilidade do Departamento de Projetos (PROJ) da SIURB são abrangentes e incluem: 

  • Infraestrutura Viária
    • Pavimentação de vias e logradouros públicos
    • Sistema viário
  • Estruturas - Obras de arte
    • Estrutura de sistema viários
    • Estrutura de reservatórios de controle de cheia
    • Estruturas de contenção (arrimos)
    • Pontes e viadutos
  • Edificações Públicas
    • Edifícios e conjuntos arquitetônicos públicos municipais
  • Sistema de Drenagem
    • Microdrenagem
    • Macrodrenagem

O Departamento de Projetos (PROJ) de SIURB possui cinco divisões, sendo suas atribuições definidas pelo Decreto 62.009/2022:

  • PROJ 1 Pavimentação e Viário
  • PROJ 2  Estruturas e Obras de Arte Especiais             
  • PROJ 3 Edificações
  • PROJ 4 Drenagem
  • PROJ 5  Preços e Custos
    1. Serviços relacionados a contratações com uso de BIM pela SIURB

São aqueles correlacionados a todos os tipos de contratações de serviços de projeto. No contexto da Coleção BIM SIURB, os serviços relacionados a BIM são: criação de modelos BIM e auditoria de serviços prestados em BIM.

      1. Criação de modelos BIM

É possível e recomendável criar modelos BIM para todos os serviços a serem elaborados ou contratados pela SIURB. A seguir, apresenta-se uma lista não exaustiva de tipos de modelos BIM que podem fazer parte de uma contratação:

  • Modelos digitais de superfícies;
  • Modelos digitais de terrenos;
  • Modelos de registro das condições existentes;
  • Modelos de movimentação de terra e taludes;
  • Modelos de pavimentação;
  • Modelos de obras de arte especiais e passarelas;
  • Modelos de traçados viários;
  • Modelos hidrológicos e de drenagem;
  • Modelos de edificações;
  • Modelos de paisagismo;
  • Modelos de iluminação;
  • Modelos de sinalização viária.

É importante considerar que outros tipos de modelos BIM poderão ser requisitados, segundo a natureza de cada tipo de prestação de serviço e das demandas de cada licitação. As regras e orientações gerais que devem ser utilizadas para a elaboração dos modelos BIM estão publicadas no Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM.

      1. Auditoria de serviços prestados em BIM

Os processos de auditoria dos serviços prestados em BIM são necessários para garantir a qualidade, precisão e integridade das informações entregues pelo contratado (Brasil, 2021b, art. 171, inciso II).

A seguir, apresenta-se uma lista não exaustiva de processos de auditoria de serviços prestados em BIM pertinentes ao escopo de todas as contratações e execuções de projetos em BIM a serem realizadas pela SIURB:

  • Auditoria da organização do ambiente comum de dados (CDE);
  • Auditoria dos modelos BIM;
  • Auditoria dos documentos derivados dos modelos BIM.

De acordo com a natureza de cada tipo de prestação de serviço BIM a ser contratada, podem existir diretrizes específicas para a auditoria dos serviços prestados. As regras e orientações gerais que devem ser utilizadas para auditar os projetos com requisição de modelos BIM, sejam contratados ou elaborados pela SIURB, estão publicadas no Caderno 3 – Diretrizes para a auditoria de projetos com uso de BIM.

  1. Diretrizes para a elaboração do Termo de Referência (TR)

Os requisitos da contratação são os elementos necessários para caracterizar o objeto a ser contratado, para que atenda adequadamente à necessidade que originou a contratação. Os requisitos são identificados no Estudo Técnico Preliminar (ETP) e no Termo de Referência (TR) como o problema a ser resolvido, a descrição das exigências para a manutenção e a assistência técnica e os resultados pretendidos em termos de economicidade e melhor aproveitamento dos recursos humanos, materiais e financeiros (Brasil, 2021c, art. 18, incisos I, VII, IX e XII).

Visando que as informações contidas no TR sejam suficientes para orientar a elaboração dos modelos BIM em cada contexto licitatório, este Caderno organiza os conteúdos mínimos necessários em dois níveis: (1) global (instruções de caráter geral que se aplicam a todos os empreendimentos da SIURB, sejam internos ou contratados) e (2) específico (instruções que podem variar por tipo de serviço, divisão de projeto da SIURB ou, ainda, para cada empreendimento).

Segue uma lista não exaustiva dos conteúdos necessários ao TR, organizados conforme os níveis acima:

  1. Nível global:
    1. Declaração do significado atribuído a BIM relacionado ao objeto da licitação;
    2. Fundamentação da exigência de modelos BIM;
    3. Tipos de documentos técnicos e formatos de arquivos a serem entregues;
    4. Glossário de termos e definições;
    5. Regras para o uso do CDE;
  2. Nível específico:
    1. Diretrizes para a elaboração e entrega dos modelos BIM e documentos técnicos derivados;
    2. Critérios para a auditoria dos modelos BIM e documentos técnicos derivados;
    3. Diretrizes para a elaboração de orçamentos, planejamento, fiscalização e acompanhamento de projetos e obras com base em modelos BIM.

As informações de nível global serão detalhadas a seguir neste capítulo (itens 5.1 a 5.6); as de nível específico, dado que variam conforme a contratação, deverão ser orientadas pelos documentos anexos ao TR, descritos no item 5.7 deste Caderno.

 

    1. Como mencionar BIM no objeto da licitação

Nas contratações de projeto deve-se adotar o termo “modelo BIM” na descrição do objeto da licitação. Exemplo:

CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE ARQUITETURA OU ENGENHARIA PARA A ELABORAÇÃO DE PROJETO BÁSICO E EXECUTIVO DE __________ COM A REQUISIÇÃO DE ENTREGA DE MODELOS BIM.

    1. Declaração do significado atribuído a BIM relacionado ao objeto da licitação

Uma vez que não existe um consenso entre especialistas, na academia ou no mercado, a respeito do significado de Building Information Modeling (BIM) e:

  • admitindo que podem existir diversos significados diferentes e corretos para definir o que é BIM;
  • considerando que as diretrizes para a contratação em BIM, em qualquer normativa, são construídas em alinhamento com o significado atribuído ao BIM pelo contratante (Gaspar, 2019)

O TR deve explicitar o significado atribuído ao BIM relacionado ao objeto da licitação, citando os cadernos da Coleção BIM SIURB. Se tal declaração porventura não constar no documento, deverá ser compreendido que o significado de BIM que orienta a licitação é o definido pelo Decreto 11.888 (Brasil, 2024) ou outro que venha a substituí-lo.

    1. Fundamentação da exigência de modelos BIM

Uma vez garantida a adequabilidade do uso de BIM ao objeto da licitação, deve-se incluir no TR um item de fundamentação da exigência de modelos BIM.

  • Mencionar o artigo 19º, Inciso V, parágrafo 3º da Lei Federal 14.133/2021, que define que:

Nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura, sempre que adequada ao objeto da licitação, será preferencialmente adotada a Modelagem da Informação da Construção (Building Information Modeling – BIM) ou tecnologias e processos integrados similares ou mais avançados que venham a substituí-la.

  • Mencionar a definição do Decreto Federal 11.888/2024 (Brasil, 2024a), já mencionada, que dispõe sobre a Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling no Brasil (Estratégia BIM BR), define BIM, ou Modelagem da Informação da Construção, como

o conjunto integrado de processos e tecnologias que permite criar, utilizar, atualizar e compartilhar, colaborativamente, modelos digitais de uma construção, de forma a servir potencialmente a todos os participantes do empreendimento durante o ciclo de vida da construção.

  • Mencionar, ainda no Decreto 11.888/2024, os dois objetivos da Estratégia BIM BR que se destacam:

- A proposição de atos normativos que estabeleçam parâmetros para as compras e as contratações públicas com uso do BIM;

- O incentivo ao uso de especificações técnicas abertas para a interoperabilidade em BIM com o propósito de estimular a concorrência no mercado e aumentar a participação e o acesso dos profissionais de projetos e obras ao mercado.

  • Mencionar o Decreto Federal 10.306/2020, que orientou, no parágrafo único do Art. 2º, que órgãos e entidades da administração pública federal podem adotar as ações dispostas no próprio decreto, o que inclui adotar:
    • A primeira definição para o termo modelo BIM presente em um ato normativo de governo. De acordo com o decreto, um modelo BIM é uma

base de dados fundamentada em objetos virtuais, que contém informações codificadas e incorpora seus relacionamentos, o que possibilita diversas visualizações, organizações e cálculos que integram informações gráficas e não gráficas.

    • A obrigação, por parte do contratado, de disponibilizar em formato aberto (não proprietário) e em outro formato exigido pela contratante os arquivos eletrônicos com modelos e os documentos técnicos que compõem o projeto de arquitetura e engenharia.
  • Declarar que, dada a natureza do objeto a ser licitado, os benefícios de BIM, amplamente documentados pela academia e pelo mercado e a determinação expressa no parágrafo acima citado, justifica-se o uso de BIM para a contratação.
    1. Tipos de documentos técnicos e formatos de arquivos a serem entregues

São vários os tipos de documentos técnicos que podem compor as entregas de uma prestação de serviços em BIM. Entre eles, destacamos:

  • Modelos BIM;
  • Pranchas com desenhos técnicos e tabelas;
  • Memoriais descritivos;
  • Relatórios.

Com relação aos formatos de arquivos a serem entregues, o Art. 6º, inciso II do Decreto 10.306 (Brasil, 2020b) define que os documentos técnicos utilizados para a troca de informações entre as partes durante os processos de elaboração, gestão e auditoria dos serviços prestados em BIM devem ser disponibilizados em formatos de arquivos baseados em especificações abertas (pdf, ifc, bcf, e57 etc.), conforme a natureza de cada documento, que devem ser expressos no TR.

No contexto do processo de prestação de serviços baseados em BIM, existem quatro grandes categorias de documentos técnicos que se destacam: os levantamentos fotogramétricos por escaneamento a laser (nuvens de pontos), os modelos BIM, as notificações BCF e os documentos técnicos derivados.

      1. Nuvens de pontos

O trabalho de levantamento de campo a ser realizado com equipamentos de captura da realidade dos tipos LiDAR e fotogrametria 3D deverá ser entregue em arquivos baseados no formato de dados E57, desenvolvido a partir da especificação técnica aberta ASTM E2807-11(2019)e1, publicada pela ASTM International (ASTM, 2022). Requisitos específicos para levantamento e a auditoria das nuvens de pontos poderão ser objeto de futuros cadernos desta Coleção.

      1. Modelos BIM

Os modelos BIM deverão ser disponibilizados em arquivos baseados no formato de dados da Industry Foundation Classes (IFC), em uma das seguintes versões:

•        4.0.2.1, publicada pela ABNT como NBR ISO 16739-1:2023, que deverá ser requisitada pela contratante sempre que a prestação de serviços for relacionada à elaboração ou uso de modelos BIM de Edificações, incluindo instalações prediais relacionadas, ou outra versão mais recente que venha a substituí-la;

•        4.3.2.0, publicada como ISO 16739-1: 2024, que deverá ser requisitada no contexto da contratação de serviços em BIM relacionada à elaboração ou uso de modelos BIM de Infraestrutura, como rodovias, ferrovias, túneis e sistemas relacionados, ou outra versão mais recente que venha a substituí-la.

É importante observar que a buildingSMART, organização que desenvolve o IFC, publica todas as versões em seu site sob a atribuição de licença Creative Commons Attributes No-Derivative 4.0 (BuildingSMART, 2024b; Creative Commons, 2024) para utilização por qualquer pessoa ou empresa, inclusive comercialmente, sem restrições.

Em complemento, a SIURB solicitará os arquivos de trabalho dos modelos, em formato “proprietário” (ou “nativo”), para fins de arquivamento. Nesse caso, a contratada deve fornecer todos os arquivos originais contendo todos os parâmetros, grupos de informações (“componentes”, “bibliotecas”, “famílias”) e referências necessárias para a correta visualização dos arquivos no software de origem.

      1. Notificações BCF

As notificações ou requisições de informações, no contexto de qualquer tipo de prestação de serviço em BIM, deverão ser disponibilizadas em arquivos baseados no formato de dados BIM Collaboration Format (BCF) para permitir sua utilização nos softwares de elaboração, análise e gestão de modelos. A especificação BCF é publicada pela buildingSMART sob licença Creative Commons Attributes No-Derivative 4.0 (BuildingSMART, 2024a; Creative Commons, 2024).

Uma notificação em BCF a partir de um modelo BIM é composta por uma câmera que aponta para o lugar no modelo onde há um problema e por informações, em texto, relacionadas à ocorrência. As notificações BCF podem ser utilizadas como ferramenta de acompanhamento da prestação de serviços em BIM, fornecendo dados para a produção de estatísticas sobre a quantidade de requisições urgentes e em aberto, a quantidade de requisições encerradas por cada profissional, entre outras possibilidades de análise (SINAENCO, 2024). Os procedimentos para a comunicação deverão ser detalhados no BEP de cada projeto.

      1. Documentos técnicos derivados

Documentos técnicos derivados referem-se às representações gráficas e alfanuméricas utilizadas para documentar um projeto, como desenhos 2D que representam plantas, cortes e elevações, e as tabelas que apresentam quantidades de elementos, entre outros.

Esses documentos devem ser entregues em arquivos baseados no formato de dados Portable Document Format (PDF). A especificação PDF é desenvolvida pela ISO e publicada pela ABNT como NBR ISO 32000-1:2019 (ABNT, 2019b).

A SIURB também poderá solicitar, para fins de arquivamento, os arquivos de origem de processamento de textos (.DOCX), planilhas (.XLSX) e apresentações (.PPTX). Estes formatos são especificações técnicas abertas contidas no padrão Open Office XML (OOXML), como definido pela ISO/IEC 29500-1 (ISO, 2016a).

    1. Glossário dos termos e definições relacionados a BIM

O pacote licitatório deve incluir uma lista dos termos e definições relacionados a BIM que forem citados, para melhor compreensão do conteúdo pelo público. Recomenda-se adotar as definições do Capítulo 1 deste Caderno nos verbetes em que for aplicável.

    1. Regras de uso do Ambiente comum de dados (CDE)

O Ambiente Comum de Dados (CDE) é um repositório digital estruturado com o objetivo de armazenar as informações contidas nos modelos BIM, bases de dados e documentos compartilhados entre os membros da equipe, por meio de processos de gestão que possibilitem o compartilhamento da informação e o registro do histórico de interações. O CDE deve, também, oferecer ferramentas de controle de acesso e permitir que as informações sejam rastreáveis (ABNT, 2022b).

A adoção de um CDE como solução tecnológica visa endereçar os objetivos específicos estabelecidos no item 4.1, em especial o objetivo 5, que trata da disponibilização das informações dos projetos de forma controlada e centralizada, com a intenção de promover melhorias na colaboração entre equipes, bem como agilidade e confiabilidade nas tomadas de decisão.

O TR deve apontar o responsável pelo CDE relacionado ao objeto de cada Edital, optando por um dos dois cenários:

  • SIURB se declara responsável pelo gerenciamento e suporte do CDE, ou;
  • SIURB designa um terceiro como responsável pelo gerenciamento e suporte do CDE. Neste caso, a contratação deve ocorrer antes da execução do contrato-objeto da licitação e o fornecedor do CDE não pode estar vinculado aos prestadores de serviço que irão utilizá-lo.

Em ambos os cenários, o responsável pelo CDE deverá atender aos requisitos técnicos mínimos estabelecidos descritas no item 7.2 - Definição dos mecanismos de comunicação deste Caderno quanto à sua organização, controles de acesso, entre outros atributos.

    1. Documentos auxiliares – Anexos ao TR

Dentre os documentos que auxiliam a regulação do contrato como um todo, serão anexados ao pacote licitatório documentos relacionados ao uso de BIM que detalham requisitos específicos para o licitante. Estes anexos, situados no diagrama abaixo, serão descritos nos itens a seguir. Quando necessário, a SIURB acrescentará outros anexos.

Figura 3 – Documentos que regulam o contrato (TR e anexos)

      1. Plano de Execução BIM (BEP)

O Plano de Execução BIM (BEP) é o documento de apoio que registra os acordos entre contratante e contratada sobre a forma de execução do objeto da licitação, isto é, traduz os requisitos explicitados no TR em instruções que orientem o bom desenvolvimento do projeto e a qualidade dos entregáveis em seus respectivos pacotes. É um documento que deve ser preenchido em conjunto, parte pela SIURB, parte pela contratada.

A SIURB disponibilizará ao licitante um Modelo de BEP que deverá: (i) ser preenchido pela(s) contratada(s), orientada(s) pelas informações contidas no TR e em seus documentos anexos; (ii) validado pela SIURB; (iii) publicado no CDE para referência de todas as partes interessadas.

Instruções específicas sobre as informações que devem estar contidas no BEP serão tratadas no Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM.

A validação do BEP pela SIURB é condição obrigatória para o início do desenvolvimento da prestação de serviços relacionada a BIM.

      1. Planilha de Escopo dos Pacotes

Descreve quantos e quais serão os Pacotes de entrega, os entregáveis que devem estar contidos e quais são seus critérios de validação. Os critérios que orientam a elaboração desta planilha estão descritos no Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM.

      1. Requisitos para Elaboração de Modelos BIM

Descreve os requisitos específicos para elaboração de modelos BIM para seu correto aproveitamento e análise, o que inclui instruções documentais e sobre os elementos da construção neles representados. Os critérios que orientam este documento estão descritos no Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM.

  1. Modelo de execução do objeto do contrato

Os serviços com requisição de modelos BIM contratados pela SIURB (item 4.3) podem ter naturezas e finalidades distintas – levantamentos, projetos e relatórios, por exemplo. Portanto, possuem diretrizes de entrega específicas, que são orientadas por cada TR e seus respectivos anexos (item 5.7).

A elaboração de modelos BIM orientados a projetos deverá ser dividida em etapas, que serão subdivididas em pacotes de entrega, cujos escopos serão definidos no documento Planilha de Escopo dos Pacotes fornecido pela SIURB para cada projeto.

O modelo de execução, incluindo as etapas e pacotes, é descrito nos itens a seguir. No entanto, este poderá ser alterado pela SIURB conforme as especificidades de cada projeto, com a devida apresentação de justificativas e, caso necessário, aprovação das instâncias responsáveis.

    1. Etapas do processo de entrega de serviços

A prestação dos serviços em BIM, de forma generalizada no âmbito deste Caderno, é composta por três etapas:

      1. Etapa A: Verificação e planejamento

A partir do pacote de documentos técnicos de concepção do serviço, disponibilizado pela SIURB no momento da licitação e/ou no início do contrato, a contratada deve: (i) avaliar o material recebido para elaborar sua estratégia de trabalho, (ii) registrar seu plano de trabalho no BEP e (iii) emitir relatório para consolidar seus estudos e considerações a respeito do material base.

      1. Etapa B: Produção dos modelos BIM

Esta etapa deve ser dividida em ao menos três partes, referentes a pacotes de entrega em estágio inicial (B1), intermediários (B2, B3, ... Bn-1) e final (Bn). As disciplinas primárias entregam modelos BIM desde o pacote inicial, enquanto as secundárias entregam seus respectivos modelos no(s) pacote(s) intermediário(s). No entanto, as equipes de todas as disciplinas deverão acompanhar todas as partes desta etapa e deverão emitir relatórios onde apresentam observações, questionamentos e recomendações técnicas. A entrega de todas as disciplinas deve ser acompanhada das respectivas memórias de cálculo. A etapa B é concluída com a emissão final dos modelos BIM pelas equipes das disciplinas.

Conforme a necessidade de projeto, os modelos BIM poderão ser complementados por documentos técnicos auxiliares que contenham perfis, seções e detalhes típicos, entre outros recursos gráficos que auxiliem a correta leitura do conteúdo dos modelos BIM. Tais documentos deverão atendar aos requisitos descritos no item 5.4.4 - Documentos técnicos derivados e possuir as informações mínimas necessárias para seu entendimento (cotas, legendas e textos explicativos). Os requisitos para esses documentos técnicos auxiliares, quando houver, estarão definidos na Planilha de Escopo dos Pacotes.

Eventualmente, a SIURB poderá ainda solicitar, em qualquer pacote, pranchas técnicas preliminares para estudos e análise de alternativas, fornecimento de diretrizes, consultas, entre outros. Os custos de emissão desses documentos auxiliares já estão incluídos na remuneração prevista para o serviço contratado.

      1. Etapa C: Conclusão

Depois que os modelos BIM forem validados pela SIURB, as equipes das disciplinas devem produzir os seguintes documentos técnicos derivados:

  • Pranchas com desenhos técnicos de plantas, cortes, elevações e detalhes que devem reproduzir fielmente as posições indicadas de secções e vistas equivalentes às realizadas nos modelos BIM finais, validados pela contratante ao final da Etapa C – acompanhadas das respectivas memórias de cálculo;
  • Memorial descritivo e listas de acabamentos que devem refletir fielmente as informações geométricas e não geométricas dos objetos que compõem os modelos BIM finais validados pela contratante.
  • Tabelas, memórias de cálculo e relatórios com quantitativos que devem refletir fielmente as quantidades extraídas dos modelos BIM finais validados pela contratante para a elaboração de orçamentos;
  • Planilhas orçamentárias elaborados com base nos quantitativos, validados conforme item acima;
  • Desenhos técnicos de detalhamentos de ampliações, que devem ser realizados a partir dos modelos BIM finais validados pela contratante;
      1. Arranjos e subdivisões das etapas

A subdivisão do serviço em etapas (A, B, C) é válida para todos os casos, seja o objeto uma ou mais fases de um projeto – Estudo Preliminar (EP), Anteprojeto (AP), Projeto Básico (PB), Projeto Executivo (EX) – em qualquer regime de contratação. As ilustrações a seguir mostram diferentes exemplos hipotéticos e suas respectivas subdivisões em etapas e pacotes.

  • Quando o objeto da licitação for apenas o Projeto Executivo:

  • Quando o objeto da licitação for o conjunto dos projetos Básico e Executivo. Devido ao escopo maior (em tempo e em entregáveis), pode ser conveniente acrescentar mais pacotes à etapa B: Figura 5 – Ciclo de vida do ativo – Caso 2
  • Quando o objeto da licitação for o projeto completo (Anteprojeto, Básico e Executivo). Devido à extensão do escopo (em tempo e em entregáveis), pode ser conveniente acrescentar mais pacotes à etapa B:

Figura 6 – Ciclo de vida do ativo – Caso 3

    1. Diretrizes para a definição e entrega dos pacotes

A seguir, são apresentadas diretrizes mínimas para orientar a elaboração da Planilha de Escopo dos Pacotes (item 5.7.2), que define os requisitos e critérios de validação dos pacotes de entrega. Após a descrição dos pacotes (itens 6.2.1 a 6.2.7), este capítulo fornece um modelo de fluxograma (item 6.3) que resume todo o modelo de execução do objeto apresentado ao longo do Capítulo 6. Outras diretrizes específicas são apresentadas nos demais cadernos da Coleção BIM SIURB.

      1. Plano de Execução BIM (BEP)

Cada contratada deve preencher o Plano de Execução BIM (BEP) (item 5.7.1), de modo que isso configure o respectivo BEP de cada contratada. Esses serão avaliados pela SIURB, que pode solicitar ajustes e negociar termos com as contratadas de forma a articular as entregas.

O BEP deverá ser atualizado sempre que ocorrerem mudanças, tais como modificações na equipe técnica, no cronograma, nos softwares utilizados etc., e as atualizações deverão ser validadas pela SIURB.

      1. Pacote A1: Consolidação dos documentos técnicos

As contratadas (cada disciplina de projeto) devem entregar um relatório contendo a análise dos documentos técnicos fornecidos pela SIURB na licitação ou antes do início da Etapa A.

O posicionamento da contratada apresentado no relatório deve ser justificado a partir de estudos de alternativas, memórias de cálculo, memorais descritivos, diretrizes técnico-normativas e legislações vigentes.

      1. Pacote B1: Produção dos modelos BIM – etapa inicial

As características dos modelos e documentos técnicos na etapa inicial variam significativamente de acordo com o tipo de serviço contratado e da disciplina a ser executada, que podem ser separadas em:

  • Disciplinas primárias: aquelas que, geralmente, são parte do processo de concepção inicial de uma prestação de serviços em BIM. No caso de um projeto de edificação, por exemplo, as disciplinas arquitetura e estrutura podem ser consideradas primárias pelo contratante;
  • Disciplinas secundárias: são as que, normalmente, têm início quando a solução técnica desenvolvida pelas disciplinas primárias pode ser considerada como madura, apresentando pouco potencial para alterações significativas. No contexto de um projeto de edificação, por exemplo, é possível considerar a disciplina de paisagismo como secundária.

As equipes encarregadas das disciplinas primárias devem entregar a primeira versão de seus respectivos modelos BIM, que devem:

  • estar adequados às diretrizes estabelecidas nos anexos do TR (5.7);
  • demonstrar que as soluções técnicas desenvolvidas consolidam as proposições dos materiais técnicos fornecidos e atendem aos requisitos da contratante (SIURB), observando-se o estabelecido no pacote A
  • estar em formato IFC, atendendo ao descrito no item 5.4.2.

As equipes das disciplinas secundárias devem entregar documentos consultivos que ofereçam subsídios para o desenvolvimento, coordenação e gerenciamento da produção. Para estas disciplinas, a entrega na etapa inicial é composta principalmente por relatórios técnicos em PDF estruturados por notificações em BCF. Nestes documentos devem constar os resultados das atividades de consulta e cooperação entre as equipes das disciplinas.

A SIURB irá analisar o pacote entregue, que não será validado caso restem pendências de qualquer tipo. Uma vez validado, inicia-se formalmente a próxima etapa (B2).

      1. Pacotes B2 a Bn-1: Produção dos modelos BIM – etapa intermediária

Compreende o momento do projeto em que:

- as disciplinas primárias entregam modelos intermediários;

- as disciplinas secundárias, por sua vez, emitem seus modelos iniciais e intermediários, dependendo da quantidade de pacotes nesta etapa.

Os tipos de informação solicitados nesta etapa (B) estarão especificados na Planilha de Escopo dos Pacotes.

Espera-se que, na entrega dos pacotes, os modelos estejam compatibilizados e acrescidos de informações e elementos, com informações suficientes para a primeira verificação de integridade e compatibilidade entre as disciplinas primárias e secundárias.

As equipes responsáveis por todas as disciplinas devem atuar de forma consultiva e cooperar com o trabalho de produção dos modelos.

A etapa intermediária pode ser subdividida conforme a complexidade do serviço, antes do início da etapa Bn, na qual os modelos alcançarão seu nível máximo de desenvolvimento (ou seja, conterão todas as informações necessárias, requisitadas na Planilha de Escopo dos Pacotes).

A SIURB irá analisar o pacote entregue, que não será validado caso restem pendências de qualquer tipo. Uma vez validados, inicia-se formalmente a próxima etapa (Bn).

      1. Pacotes auxiliares para aprovações

Em paralelo ao desenvolvimento dos pacotes já previstos para a Etapa B, serão desenvolvidos pacotes auxiliares de documentos técnicos destinados à aprovação legal e de concessionárias. O ciclo de elaboração e revisão dos pacotes auxiliares deve iniciar após a emissão do pacote B1 e finalizar até o pacote Bn-1 para garantir que todas as informações resultantes das iterações de aprovações sejam incorporadas à entrega final da etapa B (pacote Bn).

Estes pacotes podem ser identificados com a letra “B” seguida de letra representativa do projeto a ser aprovado, exemplo: BL (projeto legal), BB (aprovação junto ao Corpo de Bombeiros), BA (licenciamento ambiental), BC (aprovação de concessionárias) etc. O nome de cada pacote para aprovações, bem como seu conteúdo, varia caso a caso e será regido pela Planilha de Escopo dos Pacotes.

      1. Pacote Bn: Produção dos modelos BIM – etapa final

Na etapa final, os modelos BIM devem contemplar todos os elementos e informações necessários para a realização do serviço objeto do contrato.

Estes modelos devem:

  • estar adequados às diretrizes estabelecidas para a etapa final da modelagem BIM na Planilha de Escopo dos Pacotes (e, portanto, do Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM);
  • ser entregues em formato IFC, atendendo ao descrito no item 5.4.2.
  • ser entregues também em formato proprietário para fins de arquivamento. Caso a SIURB prefira não receber o arquivo proprietário, será explicitado no termo de referência. Nos casos em que a contratada tenha desenvolvido seu trabalho em um software que opere IFC de forma nativa e, portanto, não tenha um “formato proprietário”, não será necessário entregar um segundo formato de arquivo.

Esta etapa deve conter todas as informações técnicas necessárias à execução do objeto da licitação, que não poderão ser alteradas na etapa posterior (C). Devem também estar concluídas as aprovações necessárias definidas no item 6.2.5 - Pacotes auxiliares para aprovações.

Após a aprovação formal dos modelos pela SIURB será feita uma última emissão dos modelos para inclusão das datas de aprovação e demais informações nos respectivos campos de informação do empreendimento (conforme instruções do Caderno 2).

As equipes responsáveis por todas as disciplinas devem atuar de forma consultiva e cooperar com o trabalho de produção dos modelos.

A SIURB deve avaliar os pacotes entregues. Um pacote não pode ser validado caso restem pendências de qualquer tipo. Uma vez validados, inicia-se formalmente a etapa de conclusão (C).

      1. Pacotes C1 e C2: Documentos técnicos derivados

Apenas após a conclusão da etapa de produção dos modelos BIM é que devem ser entregues as pranchas técnicas, que são documentos técnicos derivados das informações dos modelos BIM finais validados.

Todas as representações técnicas, sejam gráficas, (como plantas, cortes, elevações, detalhes e vistas isométricas) ou alfanuméricas (como texto, listas, tabelas e quadros presentes em planilhas e relatórios), devem atender:

  • às especificações presentes nas instruções de projetos da SIURB, detalhadas no Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM;
  • no caso dos desenhos técnicos, aos requisitos gráficos das normas técnicas aplicáveis (ver Caderno 2);
  • a outras referências que venham a ser indicadas pela SIURB.

O pacote C1 constitui a emissão inicial das pranchas, que serão medidas e validadas pela SIURB. O pacote C2 é a emissão final dessas pranchas, após o processo de revisão já estabelecido, que formaliza a conclusão do serviço.

Os documentos devem ser consistentes com as informações dos modelos BIM finais validados pela SIURB. As equipes devem produzir esses documentos observando as diretrizes explicitadas no Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM.

    1. Modelo de fluxograma para execução do objeto

A seguir, um modelo de fluxograma que correlaciona os dispositivos apresentados nesse capítulo para a execução do objeto. Este modelo será adaptado pela SIURB conforme as especificidades de cada licitação em questão.

Figura 7 - Modelo de fluxograma de execução do objeto

  1. Modelo de gestão do contrato

O modelo de gestão do contrato, apresentado nos itens a seguir, define como a SIURB realizará o acompanhamento e a fiscalização da execução do objeto da licitação.

    1. Condições operacionais mínimas

Para assegurar o correto uso de BIM, devem estar garantidas as seguintes condições operacionais mínimas:

  • Infraestrutura tecnológica
    • Hardware: Computadores com especificação técnica condizente com as ferramentas (softwares) que serão adotadas;
    • Rede: Acesso à internet condizente com o volume de dados necessário (velocidade e estabilidade), bem como políticas de uso de rede que permitam acesso adequado, rastreabilidade e monitoramento dos processos internos da execução do objeto.
  • Profissionais treinados para elaborar, receber e analisar os trabalhos realizados em BIM.
    1. Definição dos mecanismos de comunicação

Os mecanismos de comunicação entre contratante e contratados, quando se trata de processos de prestação de serviços em BIM, devem ser estruturados por meio da solução tecnológica denominada Ambiente Comum de Dados (CDE), descrita no item 5.6 deste Caderno, que deve atender aos requisitos técnicos mínimos apresentados a seguir.

      1. Requisitos técnicos mínimos do CDE

O Ambiente Comum de Dados (CDE) (item 5.6), deve atender aos seguintes requisitos técnicos mínimos:

        1. Sobre a administração de usuários 

O CDE deve: 

  • permitir que os usuários estejam organizados em pelo menos dois níveis hierárquicos: administrador e usuário comum; 
  • ter recursos para criar grupos de usuários; 
  • permitir que um usuário participe de mais de um grupo;
  • ter recursos para enviar mensagens automáticas para grupos, de modo que todos os seus participantes a recebam.
        1. Sobre a administração da estrutura de arquivos compartilhados 

O CDE deve disponibilizar ferramentas para: 

  • controle de acesso a arquivos com a discriminação de permissões para (pelo menos) visualizar, ler e editar; 
  • identificação de responsáveis por inclusões, exclusões e modificações em arquivos; 
  • controle e manutenção de versões de arquivos para pesquisa e recuperação de dados; 
  • sincronização automatizada entre o conteúdo armazenado no servidor que hospeda o CDE e nas máquinas do cliente, seus prepostos e contratados, respeitando as devidas permissões de acesso; 
  • preservar os arquivos apagados por um período mínimo de 30 dias antes da exclusão automática.
  • permitir o download de todos os documentos técnicos, preservando a estrutura hierárquica de pastas do projeto, e outros registros ou metadados (lista de pastas e arquivos, lista de membros da equipe e permissões, registro de atividades dos usuários), para fins de arquivamento e/ou abandono do CDE.
        1. Sobre a visualização de informações em documentos 

O CDE deve disponibilizar ferramentas para: 

  • visualização das informações de modelos BIM em IFC, de forma individual ou combinada; 
  • visualização das informações de pranchas com desenhos técnicos, memoriais, relatórios e outros tipos de documentos em PDF;
        1. Sobre a realização de atividades de análise de documentos técnicos 

O CDE deve disponibilizar ferramentas para: 

  • realizar comentários, solicitações, questionamentos e outros tipos de notificações, com amarrações automáticas de sua posição;
  • as ferramentas de notificação deverão funcionar para diferentes tipos de documentos, como modelos BIM, pranchas com desenhos técnicos e tabelas, memoriais, relatórios, entre outros; 
  • exportação e importação dessas notificações no formato BCF; 
  • monitorar o atendimento às notificações.
    1. Considerações sobre validação e medição

A auditoria de projetos realizada pela SIURB é o procedimento viabiliza a validação e a medição de cada Pacote entregue, possibilitando, em seguida, a liberação do respectivo pagamento. Essa sequência se repetirá a cada entrega. O processo de auditoria é detalhado no Caderno 3 – Diretrizes para a auditoria de projetos com uso de BIM. Nesse contexto, é fundamental definir os termos validação e medição.

Figura 8 - Sequência de atividades relacionadas à auditoria de projetos

      1. Validação dos Pacotes

Todos os documentos técnicos requeridos no escopo do projeto (modelos BIM e derivados), de todas as disciplinas envolvidas, serão auditados pela SIURB dentro do seu respectivo Pacote, segundo os critérios de validação estabelecidos na Planilha de Escopo dos Pacotes (item 5.7.2).

Um Pacote só será considerado apto para análise quando completo, isto é, contendo todos os documentos técnicos de todas as disciplinas. A contratada deverá submeter cada Pacote no CDE, para análise, dentro do prazo estabelecido em cronograma. Todas as partes envolvidas serão notificadas sempre que um Pacote for enviado.

Um Pacote é considerado validado somente quando todos os entregáveis que o compõem forem aprovados, ao final do processo de auditoria, conforme os critérios de validação estabelecidos

A auditoria, detalhada no Caderno 3 – Diretrizes para a auditoria de projetos com uso de BIM, assegura que os projetos contenham os elementos e atributos exigidos para a etapa correspondente. Insuficiências técnicas e erros de modelagem — como duplicações, sobreposições geométricas relevantes ou ausência de atributos obrigatórios — acarretarão a recusa do recebimento ou da validação, impactando os pagamentos e prazos associados.

A contratada é responsável pela qualidade e suficiência das informações de todos os documentos técnicos que compõem o Pacote entregue.

Somente após a validação de um Pacote a contratada estará autorizada a iniciar formalmente a produção do próximo. Esse procedimento deve ser seguido até a aprovação do último Pacote, quando a conclusão do serviço será formalizada.

A validação de um Pacote também constitui referência para a análise das entregas de Pacotes subsequentes: a cada nova submissão, o projeto será auditado e comparado aos Pacotes aprovados anteriormente.

      1. Medição dos Pacotes

Um Pacote será considerado apto para medição somente quando estiver validado, ou seja, quando todos os seus produtos tiverem sido auditados e aprovados.

A medição será realizada conforme o avanço da maturidade dos Pacotes. Os critérios de medição serão definidos com base nos resultados esperados para cada Pacote e servirão como referência para o pagamento.

Durante a vigência do contrato haverá, no mínimo, uma medição por Pacote entregue. Medições adicionais poderão ocorrer quando a SIURB optar por subdividir um Pacote em partes, situação em que apresentará à contratada os objetivos, prazos e produtos esperados.

O descumprimento de qualquer diretriz — seja nos modelos BIM ou documentos técnicos derivados — resultará na reprovação do Pacote como um todo.

A conclusão da medição de um Pacote é o evento que autoriza o desembolso proporcional ao Pacote entregue.

      1. Desembolsos (Pagamentos)

A remuneração dos serviços de projeto é definida pelo valor global do projeto, que considera a mobilização de equipe técnica, os prazos estimados, o esforço proporcional e os ganhos de colaboração promovida pelo uso de modelos BIM.

Esse valor global é fracionado em desembolsos parciais, liberados após a validação e medição de cada Pacote, conforme definido na Planilha de Escopo dos Pacotes.

A distribuição de desembolsos, os prazos contratuais e demais condições serão especificados em cada processo licitatório.

Bibliografia

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GASPAR, J. A. da M. O significado atribuído a BIM ao longo do tempo. 2019. 238 f. Mestrado - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, 2019.

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SINAENCO. Guia de boas práticas para a contratação de serviços em BIM – Vol. I – Diretrizes gerais. 1. ed. São Paulo: SINAENCO - Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2024. v. 1

SIURB. Capital utiliza sistema inédito no mundo para monitorar pontes e viadutos à distância. [S. l.], 2025. Disponível em: https://capital.sp.gov.br/web/obras/w/monitoramento-oae. Acesso em: 2 jun. 2025.

SIURB; FDTE. SIURB Digital – Portal de Interação SIURB. [S. l.], 2021. Disponível em: https://siurbdigital.com.br/. Acesso em: 25 mar. 2025.

Anexo I – Modelo de Planilha de Escopo dos Pacotes

O anexo a seguir é um documento-modelo, interno da SIURB, que orienta a elaboração da Planilha de Escopo dos Pacotes, fornecida pela SIURB a cada início de projeto. O modelo ilustra quais informações deve conter e como devem ser organizadas, mas os requisitos variam de acordo com o projeto.

Caderno 2

Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM

OBSERVAÇÕES

Este documento é uma versão preliminar do Caderno 2, para discussão técnica e comentários em consulta pública. A formatação e diagramação deste documento não são finais e serão alteradas posteriormente.

Sobre a Coleção BIM SIURB

A consolidação de diretrizes para o uso de BIM que atendam às necessidades de uma instituição da relevância da SIURB é o resultado de discussões e pesquisas aprofundadas, que articulam os objetivos organizacionais da Secretaria aos mais atuais processos de trabalho baseados em BIM.

Para que esta missão pudesse ser cumprida com excelência, foi criada a Coleção BIM SIURB.

Escopo do Caderno BIM SIURB 2

O Caderno 2 tem por objetivo apresentar diretrizes para que o processo de prestação de serviços em BIM seja realizado de forma que a SIURB possa obter, como resultado, modelos BIM e documentos derivados com a qualidade e confiabilidade requeridas em suas licitações.

O Capítulo 1 traz definições gerais que orientam os capítulos seguintes. O Capítulo 2 trata do referenciamento coordenado dos modelos e o Capítulo 3 da identificação dos modelos. O Capítulo 4 traz diretrizes específicas dos modelos para edificações e o 5 para modelos de infraestrutura. O Capítulo 6 define diretrizes para os elementos da construção que compõem os modelos BIM. O Capítulo 7 trata da documentação técnica extraída a partir do modelo BIM. Por fim, são apresentadas as referências citadas ao longo deste Caderno.

  1. Definições gerais
    1. Tipos de modelos BIM

Os modelos BIM abordados nesta Coleção podem ser classificados em dois tipos, quanto à tecnologia empregada na estruturação de seus dados: (i) modelos de malha geométrica, estruturados segundo o esquema de dados IFC e direcionados à elaboração de projetos, e; (ii) modelos de nuvem de pontos, baseados no formato de dados E57 e voltados ao levantamento de dados brutos de superfícies (Gaspar et al., 2025).

Figura 1 - Modelo de malha geométrica (esq.) e modelo de nuvem de pontos (dir.). Fonte: (Pavlo H, [s. d.])

Este Caderno, assim como o Caderno 3, trata especificamente dos modelos de malha geométrica para projetos de edificações e infraestrutura, no âmbito dos projetos contratados ou elaborados pela SIURB. Os modelos de nuvem de pontos, utilizados para o levantamento de situação existente, serão abordados em futuros cadernos da Coleção BIM SIURB.

    1. Organização do modelo (agrupamentos)

Os modelos BIM contêm, além da representação geométrica dos elementos da construção, os relacionamentos entre eles. Para que isso seja viável, é necessário que o conteúdo do modelo seja organizado em agrupamentos como os contêineres espaciais, que ajudam a organizar os elementos da construção.

A organização dos contêineres espaciais facilita diversas tarefas de verificação e análise de modelos BIM, como controles de visibilidade, detecção de colisões, extração de quantidades, sequenciamento de obra, entre outras. No caso de uma edificação, por exemplo, um “pavimento” é um contêiner espacial e é representado, no esquema IFC, pela entidade IfcBuildingStorey.

Os modelos BIM devem, portanto, seguir uma organização hierárquica dos contêiners espaciais, pré-estabelecida pelo esquema IFC, que varia conforme o tipo de ativo representado. No contexto da SIURB, há diversos tipos de ativos que podem ser o objeto representado por um modelo BIM: edificações, vias, pontes, viadutos, canalizações, entre outros.

Para orientar a organização dessa variedade de modelos, este Caderno apresenta diretrizes específicas para modelos de edificações (PROJ 3), no item 4.1; já para os modelos de infraestrutura (PROJ 1, 2 e 4), que possuem especificidades por tipo, no item 5.1.

    1. Da conformidade dos modelos BIM

A contratada deve assegurar que os modelos BIM entregues estejam em conformidade com:

  • os requisitos especificados no TR e seus anexos pela SIURB;
  • os requisitos definidos no BEP, validado pela SIURB.

Caso a contratada necessite rever qualquer aspecto do BEP durante o andamento do projeto, deve reportar à SIURB para que, em comum acordo, a SIURB possa validar sua revisão.

  1. Referenciamento coordenado dos modelos BIM 

O referenciamento coordenado entre os modelos BIM é condição fundamental para os modelos de todas as disciplinas envolvidas em um mesmo projeto. O ativo em questão pode ou não ser georreferenciado (ter uma localização definida no território) e as especificidades decorrentes serão abordadas nos subcapítulos a seguir.

Em ambos os casos, para que todas as disciplinas possam iniciar seus trabalhos, a parte da contratada responsável pela coordenação deve fornecer às demais disciplinas, na Etapa A, um modelo de referência, modelo BIM estruturado conforme o esquema IFC e que deve conter, no mínimo:

  1. Um modelo digital do terreno (MDT), representação geométrica da superfície topográfica (malha ou sólida), derivada do levantamento topográfico previamente realizado;
  2. Um marco digital de referência (MDR), objeto virtual que deve:
    • ser posicionado digitalmente em um ponto de interesse do empreendimento validado pela SIURB. Por exemplo, no caso de edificações contidas em um lote, é comum adotar um dos vértices da testada do lote (alinhamento viário).
    • ser representado geometricamente por um tetraedro colocado em posição invertida, ou seja, com o vértice apontado para baixo em relação à sua base. O vértice deve coincidir com o ponto de interesse do empreendimento que servirá de origem para o referenciamento dos projetos;

O modelo de referência poderá conter, adicionalmente, outros elementos preexistentes do terreno (como vegetação, postes, instalações, edificações). Nesse caso, os elementos devem ser classificados conforme as classes IFC indicadas no documento Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

Figura 2 – Exemplo de Modelo de referência

As equipes das disciplinas deverão utilizar o modelo de referência para o desenvolvimento de seus modelos BIM. Ao importarem o modelo de referência em seu software de modelagem, este não deve ser movido nem rotacionado. Caso o projetista deseje alterar a orientação ou localização do modelo de referência em sua área de trabalho, deverá utilizar a funcionalidade de ajuste do plano de trabalho, recurso disponível em todos os softwares de modelagem.

Figura 3 - Modelo de referência visto na posição original, como importado no software de modelagem

Figura 4 - Modelo de referência visto com o plano de trabalho ajustado

Cada modelo BIM submetido para auditoria deve conter o MDR, permitindo que qualquer modelo possa ser posicionado e auditado em relação ao modelo de referência e aos demais.

    1. Análise do referenciamento de modelos BIM

A análise dos modelos BIM terá início com a verificação de seu alinhamento ao ponto de referência definido pela SIURB e representado no modelo de referência, sendo um critério de validação e auditoria do serviço prestado em BIM.

Caso seja constatada alguma inconformidade, a contratada será formalmente comunicada e deverá proceder com as correções necessárias no posicionamento do modelo.

Abaixo, um exemplo simplificado de referenciamento coordenado entre modelos BIM de duas disciplinas, arquitetura (em laranja) e estrutura (em azul), e o modelo de referência (em branco).

Figura 5 - Modelos com referenciamento correto

As figuras a seguir ilustram erros comuns de referenciamento na posição e na rotação dos modelos:

Figura 6 - Modelos com referenciamento incorreto (rotação)

Figura 7 - Modelos com referenciamento incorreto (altura)  

    1. Ativo georreferenciado

Quando o ativo for georreferenciado, os modelos devem estar posicionados de forma coordenada também em relação a um ponto geodésico de referência, estabelecido no levantamento e validado pela SIURB. O ponto geodésico estará relacionado a um marco geodésico, estrutura física que o materializa.

O ponto geodésico (e seu respectivo marco físico) refere-se a uma coordenada projetada do Sistema de Referência de Coordenadas (SRC) adotado. No caso da SIURB, para projetos em São Paulo, deve-se utilizar o SIRGAS 2000 (Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas) (2000), Sistema de Projeção UTM, Zona 23S. No padrão EPSG, corresponde ao EPSG:31983 (MapTiler, [s. d.]).

Para a correta vinculação do MDT ao terreno físico, o MDR deve ter suas coordenadas relacionadas ao ponto geodésico e ser materializado com um marco físico no terreno.

Nos modelos que utilizem a versão 4.3.2.0 ou mais atual do esquema IFC, as coordenadas de georreferenciamento do terreno devem ser preenchidas nos atributos das entidades: IfcCoordinateReferenceSystem, IfcProjectedCRS e IfcMapConversion. Abaixo, indica-se o preenchimento esperado dos respectivos atributos:

Figura 8 - Exemplo de preenchimento dos atributos de geolocalização vista a partir de software de modelagem

Cabe exclusivamente à SIURB ou seu preposto:

  • determinar a área de trabalho e de projeto;
  • arbitrar se será adotado um único marco geodésico de referência para o conjunto de modelos de um ativo, múltiplos marcos para um único ativo, ou ainda uma coordenada global para diversos ativos;
  • validar formalmente o marco geodésico de referência a ser utilizado;
  • verificar se os modelos entregues pelos contratados apresentam o(s) ponto(s) de referência corretamente georreferenciados.

Caso sejam identificadas inconformidades no georreferenciamento, a contratada será notificada e deverá realizar as devidas correções.

    1. Ativo sem posição geográfica definida

Nos casos em que o ativo não possua uma posição geográfica previamente estabelecida (por exemplo, em projetos-padrão), os modelos BIM também devem ser posicionados de forma coordenada em relação a um modelo de referência. Nessa situação, a SIURB orientará a contratada sobre como representar o terreno genérico adotado e indicará qual será o ponto de interesse para posicionar o MDR.

  1. Identificação do empreendimento nos modelos BIM

Os dados de identificação do empreendimento devem ser inseridos, pela contratada, nos modelos BIM e na documentação técnica relacionada. Estes dados são organizados em duas categorias:  

  • Informações do empreendimento e do documento: associadas à entidade IfcProject;
  • Informações do terreno: associadas à(s) entidade(s) IfcSite;

As entidades IfcProject e IfcSite deverão receber os conjuntos de propriedades (referidos por seu termo em inglês: Property sets ou Psets) indicados pela SIURB, nos quais estarão contidos os campos de informação a preencher (propriedades). As propriedades deverão ser preenchidas com um valor, do tipo IfcText, seguindo o formato indicado pela SIURB no dicionário de dados a seguir.

Figura 9 - Dados de identificação do modelo vistos em software de análise

Demais informações, associadas a edificações, pavimentos, trechos e a seus elementos da construção não fazem dos dados de identificação do empreendimento e serão orientados por instruções específicas mais adiante neste Caderno.

    1. Dicionário de dados de identificação

O dicionário de dados que orienta a criação dos campos e seu preenchimento nos modelos BIM tem o seguinte padrão de organização:

Abaixo, a lista dos dados de identificação que devem constar em todos os modelos BIM entregues à SIURB:

Quando o preenchimento de uma propriedade não for aplicável, o respectivo campo deve ser preenchido com o texto “N/A”. No material licitatório ou no início de cada contrato, a SIURB informará ao contratado quais propriedades devem ser obrigatoriamente preenchidas. Esta informação deverá constar no BEP do projeto.

Outras propriedades, mais específicas, podem ser solicitadas pela SIURB dependendo do tipo de projeto (por exemplo, índices urbanísticos do lote para projetos de edificações). Nesse caso, a SIURB indicará quais serão esses dados em documentos complementares ao pacote licitatório.

  1. Modelos BIM para projetos de Edificações

Este capítulo fornece diretrizes específicas para a elaboração de modelos BIM para projetos de edificações.

    1. Organização hierárquica espacial

Sempre que a prestação de serviços for relacionada à elaboração ou uso de modelos BIM para edificações, incluindo instalações prediais relacionadas, a organização hierárquica espacial dos modelos deve ser estruturada observando-se o esquema de dados IFC, versão 4.0.2.1, publicado pela ABNT como NBR ISO 16739-1 (2023), ou outra versão mais recente que venha a substituí-la.

Considerando que as diferentes disciplinas envolvidas — como arquitetura, estrutura, instalações — produzem modelos BIM que serão posteriormente sobrepostos para visualização e análise, a organização hierárquica espacial das entidades IFC deve ser compatível entre os modelos até o nível dos pavimentos (IfcBuildingStorey) da edificação, conforme destacado no diagrama a seguir.

Figura 10 - Organização hierárquica espacial – Edificação

Cada projetista deve utilizar a classe IfcBuildingStorey para representar os pavimentos da edificação, conforme sua posição relativa ao eixo Z, e os elementos da construção devem estar contidos nos respectivos pavimentos. Recomenda-se, como boa prática, que o projetista de arquitetura registre no BEP os nomes dos pavimentos do projeto, de forma a orientar todos os demais projetistas.

No exemplo a seguir, considere-se um projeto de edificação com três disciplinas envolvidas, Arquitetura (ARQ), Estruturas (EST) e Hidráulica (HID), composta por múltiplos pavimentos. O diagrama a seguir mostra a hierarquia dos modelos, coordenada entre disciplinas, e em seguida o modelo multidisciplinar observado em um software de análise:

Figura 11 - Ilustração da organização de modelos de diferentes disciplinas Figura 12 - Modelo multidisciplinar visto a partir de software de análise

    1. Identificação do empreendimento – Especificidades

Em complemento às instruções dadas no Capítulo 3 - Identificação do empreendimento nos modelos BIM:

  • A entidade IfcBuilding deve identificar a edificação usando as propriedades Name (Nome) e Description (Descrição), padrão do esquema IFC. Quando houver mais de uma edificação no mesmo projeto (e mesmo arquivo IFC), devem ser criados IfcBuilding separados para cada edificação, identificados conforme orientação no material licitatório ou no início de cada contrato, que será referenciado no BEP;
  • A entidade IfcBuildingStorey: deve identificar o pavimento da edificação usando as propriedades Name (Nome) e Description (Descrição), padrão do esquema IFC.
  1. Modelos BIM para projetos de Infraestrutura

Este capítulo fornece diretrizes específicas para a elaboração de modelos BIM para projetos de infraestrutura, especialmente projetos de drenagem.

    1. Organização hierárquica espacial

Sempre que a prestação de serviços for relacionada à elaboração ou uso de modelos BIM para infraestrutura – como sistemas de drenagem, vias e sistemas relacionados – a organização hierárquica espacial dos modelos BIM deve ser estruturada observando-se o esquema de dados IFC, versão 4.3.2.0, publicada como ISO 16739-1 (2024), ou outra versão mais recente que venha a substituí-la.

Os modelos BIM para projetos de infraestrutura apresentam maior complexidade em relação aos de edificações pois:

  • Representam ativos de natureza distinta (ramais de drenagem, vias, pontes), que correspondem a diferentes domínios do esquema IFC e exigem subdivisões específicas em função das informações neles contidas.
  • A inclusão de classes específicas para elementos de infraestrutura ao esquema IFC é recente (versão 4.3.2.0, de 2024), ainda sem tradução nacional e com escassa bibliografia e estudos de caso que orientem a correta organização e mapeamento das classes dos modelos.

A ilustração a seguir mostra uma correlação entre os domínios IFC disponíveis e os tipos de ativos sob responsabilidade do Departamento de Projetos da SIURB, bem como suas respectivas divisões. Na sequência, são descritas as organizações hierárquicas espaciais propostas para cada tipo de projeto.

Figura 13 - Organização hierárquica espacial – Edificações e Infraestrutura

      1. Projetos de Pavimentação e viário

Nos projetos de Pavimentação e viário (PROJ 1), a organização hierárquica espacial deve ser compatível entre os modelos até o nível IfcRoad, como indicado no diagrama a seguir, para permitir a correta visualização combinada dos modelos.

Figura 14 - Organização hierárquica espacial – IfcRoad

A escolha de como serão feitas as subdivisões do contêiner IfcRoad em partes (IfcRoadPart) fica a critério do projetista, desde que no primeiro nível estejam os segmentos longitudinais, ou trechos, e no nível imediatamente abaixo, estejam as segmentações transversais.

Sempre que possível, as entidades IfcRoadPart devem ser classificadas também por um tipo predefinido (PredefinedType) disponível no esquema IFC. Por exemplo, a entidade IfcRoadPart que contém os elementos da pista de rolamento de uma rodovia deve ser classificada como IfcRoadPart.CARRIAGEWAY. Os tipos predefinidos a serem usados para essa classificação constam no documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

      1. Projetos de Estruturas e OAEs

Nos projetos de Estruturas e OAEs (PROJ 2), especificamente em projetos de pontes, a organização hierárquica espacial deve ser compatível entre os modelos até o nível IfcBridge, como indicado no diagrama a seguir, para permitir a correta visualização combinada dos modelos.

A escolha de como serão feitas as subdivisões do contêiner IfcRoad em partes (IfcRoadPart) fica a critério do projetista, desde que no primeiro nível estejam os segmentos longitudinais, ou trechos, e no nível imediatamente abaixo, estejam as segmentações transversais.

Sempre que possível, as entidades IfcRoadPart devem ser classificadas também por um tipo predefinido (PredefinedType) disponível no esquema IFC. Por exemplo, a entidade IfcRoadPart que contém os elementos da pista de rolamento de uma rodovia deve ser classificada como IfcRoadPart.CARRIAGEWAY. Os tipos predefinidos a serem usados para essa classificação constam no documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

      1. Projetos de Estruturas e OAEs

Nos projetos de Estruturas e OAEs (PROJ 2), especificamente em projetos de pontes, a organização hierárquica espacial deve ser compatível entre os modelos até o nível IfcBridge, como indicado no diagrama a seguir, para permitir a correta visualização combinada dos modelos.

Figura 15 - Organização hierárquica espacial – IfcBridge

A escolha de como serão feitas as subdivisões do contêiner IfcBridge em partes (IfcBridgePart) fica a critério do projetista, desde que no primeiro nível estejam os segmentos longitudinais, ou trechos, e no nível imediatamente abaixo, estejam as segmentações transversais.

Sempre que possível, as entidades IfcRoadPart devem ser classificadas também por um tipo predefinido (PredefinedType) disponível no esquema IFC. Por exemplo, a entidade IfcBridgePart que contém os elementos de fundação profunda de uma ponte deve ser classificada como IfcBridgePart.FOUNDATION. Os tipos predefinidos a serem usados para essa classificação constam no documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

      1. Projetos de Drenagem

Nos projetos de Drenagem (PROJ 4), a organização hierárquica espacial deve ser compatível entre os modelos até o nível IfcFacility, como indicado no diagrama a seguir, para permitir a correta visualização combinada dos modelos.

No caso específico dos projetos de drenagem, cabe ressaltar que se deve adotar a entidade IfcFacility como contêiner espacial, que corresponde a um “ativo genérico”, uma vez que não existe um domínio IFC específico para projetos de drenagem urbana.

Figura 16 - Organização hierárquica espacial – IfcFacility

A escolha de como serão feitas as subdivisões do contêiner IfcFacility em partes (IfcFacilityPartCommon) fica a critério do projetista, desde que no primeiro nível estejam os segmentos longitudinais, ou trechos, e no nível imediatamente abaixo, estejam as segmentações transversais.

Sempre que possível, as entidades IfcFacilityPartCommon devem ser classificadas também por um tipo predefinido (PredefinedType) disponível no esquema IFC. Por exemplo, a entidade IfcFacilityPartCommon que contém os elementos de subterrâneos de um sistema de canalização deve ser classificada como IfcFacilityPartCommon.BELOWGROUND. Os tipos predefinidos a serem usados para essa classificação constam no documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

    1. Identificação do empreendimento – Especificidades

Em complemento às instruções dadas no Capítulo 3 - Identificação do empreendimento nos modelos BIM:

A entidade IfcRoad / IfcBridge / IfcFacility deve identificar a infraestrutura usando as propriedades Name (Nome) e Description (Descrição), padrão do esquema IFC. Quando houver mais de uma infraestrutura no mesmo projeto (e mesmo arquivo IFC), devem ser criados IfcRoad / IfcBridge / IfcFacility separados, identificados  

  • conforme orientação no material licitatório ou no início de cada contrato, que será referenciado no BEP.
  • A entidade IfcRoadPart / IfcBridgePart / IfcFacilityPartCommon deve identificar o trecho da infraestrutura, usando as propriedades Name (Nome) e Description (Descrição), padrão do esquema IFC.
  1. Elementos da construção nos modelos BIM

Existem diferentes abordagens nas normas técnicas brasileiras para definir o que são “elementos da construção”:

  • Para a NBR 15965-1 (ABNT, 2011a), o “elemento” corresponde “a parte da construção que, individualmente ou combinada com outras partes, exerce uma função predominante no ciclo de vida do empreendimento” (ativo). Os elementos da construção são objetos compostos por insumos obtidos na cadeia de suprimento que são utilizados, instalados ou transformados na cadeia produtiva.
  • Para a NBR 12006-2 (ABNT, 2018), um “elemento da construção” é uma “parte constituinte de uma unidade da construção, com uma função, forma ou posicionamento característicos”.
  • Para a NBR ISO 16739-1 (ABNT, 2023), “elemento” é uma generalização de todos os componentes que constituem uma unidade de construção. São objetos fisicamente existentes, instalados temporária ou permanentemente na unidade de construção, que podem ser produzidos no local ou pré-fabricados e montados no local.

Com base nessas referências, a Coleção BIM SIURB adota o seguinte entendimento para o termo “elemento da construção”, também expresso no Caderno 1:

parte constituinte de uma unidade da construção, com uma função, forma ou posicionamento característicos” (ABNT, 2018). Em um modelo BIM, os elementos da construção são constituídos por geometrias associadas a outros objetos, como propriedades e instruções computacionais, que definem seu estado, comportamentos ou relações em um ambiente de trabalho orientado a BIM.

A partir dessa definição, os próximos subcapítulos estabelecem diretrizes gerais para a elaboração dos elementos de construção, que serão complementadas pelo documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

A SIURB irá indicar o conteúdo geométrico e alfanumérico (dados) necessários em termos de qualidade, quantidade e granularidade. As instruções de modelagem são determinadas pela quantidade mínima de informação necessária para se responder aos requisitos aplicáveis do projeto ou ativo (ABNT, 2022b).

    1. Classificação dos elementos

Nos modelos BIM da SIURB, sejam contratados ou elaborados internamente, os elementos da construção receberão dois tipos de classificação:

  • Classificação primária: é a classificação fundamental a ser utilizada para a identificação do elemento da construção. Esta classificação deve ser realizada observando-se a norma NBR ISO 16739-1 (2023), que compreende a especificação técnica IFC em sua versão 4.0.2.1, ou ISO 16739-1 (2024), que compreende a especificação técnica IFC em sua versão 4.3.2.0, ou ambas nas versões mais recentes;
  • Classificações secundárias: devem ser utilizadas quando for preciso aumentar o detalhamento da especificação dos elementos da construção. Podem ser usados um ou mais sistemas de classificação secundários para identificar os elementos, como a NBR 15965 (ABNT, 2011a), o SINAPI (Caixa Econômica Federal, 2015), o SICRO (DNIT, 2024), entre outros. No caso de projetos contratados pela SIURB, quando for necessário, o sistema escolhido será indicado nos documentos auxiliares da licitação.

Orientações específicas sobre quais classes devem ser atribuídas a cada elemento de construção (primárias e, quando houver, secundárias) serão indicadas no documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

Quando não houver uma classe correspondente para determinado elemento, a contratada poderá propor o uso de outra classe IFC, fundamentada na definição semântica dada pela especificação técnica em vigor. Essa correspondência deverá ser comunicada formalmente à SIURB e registrada no BEP. Caso não exista nenhuma classe adequada ao elemento representado, deverá ser adotada a classe genérica IfcBuiltElement, disponível na versão 4.3.2.0 do IFC; admite-se, alternativamente, o uso da classe genérica IfcBuildingElementProxy, caso se adote a versão 4.0.2.1 do IFC.

A correta associação das classificações aos elementos da construção nos modelos BIM é um critério para a auditoria e validação do serviço prestado em BIM.

    1. Posicionamento dos elementos

Os elementos da construção devem ser posicionados de forma a não estarem geometricamente sobrepostos, um tipo de erro conhecido como sobreposição geométrica (também referido por “interferência” ou seu termo correspondente em inglês, “clash”).

Essas interferências podem ocorrer entre elementos do mesmo projetista ou entre elementos de disciplinas diferentes – por exemplo, entre estrutura e instalações hidráulicas de uma edificação – e, em ambos os casos, deve ser solucionada pelos responsáveis mediante a submissão de modelos revisados.

Também não devem existir elementos geométricos idênticos na mesma posição (duplicados), mesmo entre disciplinas diferentes – por exemplo, elementos estruturais como lajes, vigas ou pilares, que apareçam tanto no modelo de estrutura como no de arquitetura.

O método de verificação de interferências entre disciplinas é parte das instruções de colaboração registradas no BEP do projeto.

A ocorrência de sobreposição geométrica entre elementos da construção é um critério para auditoria e validação do serviço prestado em BIM.

    1. Geometria dos elementos

Os elementos da construção em modelos BIM devem ser geometricamente elaborados de modo que:

Na medida do possível, os seguintes artifícios de representação geométrica devem ser evitados:

  • As arestas dos elementos não devem receber operações de chanfros e boleamentos, a não ser que sejam essencialmente necessários para a compreensão do projeto;
  • Ao se realizar a representação de objetos em curva ou arredondados, deve-se utilizar ferramentas que utilizem NURBS (Non-Uniform Rational Basis Spline) como método matemático de registrar a representação. Caso o software de origem não possibilite o uso de NURBS, deve-se utilizar polígonos para este fim.

Nos casos em que as geometrias geradas sejam poligonais, deve-se adotar boas práticas como:

  1. Modelar utilizando formas geométricas simplificadas, sem superfícies curvas, facetadas e com poucos sólidos, de modo a diminuir o número de faces dos elementos.

Figura 17 - Comparativo entre elementos sem (esq.) e com (dir.) simplificação de geometria

  1. Substituir perfis de seção circular por seção poligonal. Abaixo, um comparativo entre dois modelos de corrimão vistos a partir de um software de coordenação. O primeiro modelo foi feito, no software de origem, usando perfis de seção circular; já o segundo, a partir de perfis de seção poligonal de oito lados (octógono). O modelo a partir das seções circulares gerou um arquivo cerca de nove vezes maior que o de seção octogonal, sendo o simplificado igualmente capaz de representar o objeto em questão.
  2. Figura 18 - Comparativo entre modelos de seção circular e facetada

    Quando necessário, as instruções serão complementadas pelo documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

    As diretrizes para a modelagem geométrica dos elementos da construção em modelos BIM serão critérios para a auditoria e validação do serviço prestado em BIM.

     

    1. Propriedades dos elementos
  3. Os elementos da construção em modelos BIM devem ser elaborados garantindo que:

  4. Cada elemento possua um GUID (Globally Unique Identifier ou “Identificador Único Global”), código que permite a identificação individualizada de cada elemento do modelo;
  5. Sejam identificados, no mínimo, com o preenchimento das propriedades Name (Nome) e Description (Descrição), padrão do esquema IFC;
  6. Todo elemento tenha ao menos um material de construção associado (IfcMaterial), que deve conter, no mínimo, nome e descrição (campos Name e Description do IfcMaterial).
  7. A SIURB poderá solicitar outras propriedades e conjuntos de propriedades (Psets) específicos, que deverão ser preenchidos (nos elementos e/ou nos materiais) conforme as orientações do documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

    O preenchimento das propriedades requisitadas por pacote é critério para a auditoria e validação do serviço prestado em BIM.

    1. Requisitos para Elaboração de Modelos BIM
  8. O documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM, como estabelecido no Caderno 1 desta Coleção, será fornecido pela SIURB para cada projeto com a finalidade de:

  9. Orientar a classificação primária dos elementos de construção dos modelos BIM, ou seja, informar qual classe IFC deve ser atribuída a cada elemento.
  10. Listar quais propriedades e como devem ser preenchidas nos elementos da construção.
  11. Indicar diretrizes específicas de modelagem geométrica para os elementos em que a instrução do item 6.3 não for suficiente.
  12. Caso seja estabelecido um sistema de classificação secundária, orientar sobre seu uso (por exemplo, a NBR 15965 ou ainda tabelas de custo como Tabelas SIURB, SINAPI, SICRO).
  13. Observação: A versão atual da planilha, no momento da publicação deste Caderno, está organizada de modo a permitir a futura inclusão de códigos específicos para que os modelos BIM possam ser utilizados na orçamentação de projetos. O sistema de classificação secundária necessário para essa tarefa, bem como suas instruções de uso, é um conteúdo a ser desenvolvido futuramente pela SIURB.

  14. Documentação derivada de modelos BIM
  15. Este capítulo tem como objetivo definir e direcionar a elaboração de documentos derivados das informações contidas nos modelos BIM – pranchas, relatórios, planilhas e outros tipos de registros de informações documentadas nos modelos, expressas por meio de desenhos técnicos e esquemáticos, infográficos, tabelas, texto, equações e demais meios de representação das informações elaboradas.

    1. Documentos técnicos derivados
  16. No contexto das entregas de projetos da SIURB, os documentos técnicos derivados (pranchas de desenhos técnicos e demais documentos) devem ser entregues somente após a conclusão da etapa de desenvolvimento e compatibilização dos projetos, como estabelecido pelo modelo de execução do objeto definido no Caderno 1 - Diretrizes para a contratação de projetos com uso de BIM.

    1. Tipos de documentos técnicos derivados
  17. Os principais documentos técnicos derivados de informações de modelos BIM são, mas não se restringem a:

  18. Pranchas técnicas;
  19. Memoriais descritivos;
  20. Memórias de cálculo;
  21. Planilhas;
  22. Relatórios.
    1. Características dos documentos técnicos derivados
  23. Os documentos técnicos elaborados a partir de modelos BIM devem apresentar consistência e fidelidade às informações presentes no modelo BIM final, publicado no CDE e validado pela SIURB.

    Espera-se também que todo documento entregue para ou elaborado pela SIURB apresente clareza, organização, legibilidade e rastreabilidade das informações, bem como qualidade gráfica e resolução adequadas à leitura dos documentos.

    Orientações sobre categorias e formatos de arquivo são dadas no Caderno 1 - Diretrizes para a contratação de projetos com uso de BIM.

    A compatibilidade e correto versionamento dos conteúdos gerados a partir dos modelos BIM serão critérios para a auditoria e validação do serviço prestado em BIM.

      1. Desenhos técnicos
  24. Os desenhos técnicos devem ser formatados de acordo com as indicações normativas já expressas e outras especificações complementares que a SIURB possa eventualmente indicar.

    Pranchas de desenho técnico ou esquemático que se destinarem à aprovação de órgãos reguladores e concessionárias de serviços públicos devem seguir os padrões representativos determinados por estes órgãos.

    Todas as pranchas devem informar textualmente, de forma legível e identificada, qual o nome do arquivo (IFC ou nativo) do qual derivam as informações representadas.

    Representações gráficas planas, tais como plantas, cortes e elevações, devem ser consistentes ao registro do modelo BIM final validado pela SIURB aos quais estão relacionadas. Isso significa que, caso uma seção seja realizada no modelo na mesma posição dos cortes, plantas ou elevações representadas nos documentos derivados, esta seção deve apresentar os elementos de construção nas mesmas posições que a representação documentada.

    As representações gráficas codificadas com símbolos técnicos não determinados por norma brasileira devem ser explicados em legenda legível. Recomenda-se que os símbolos normatizados também sejam descritos em legenda. A legenda deve aparecer em toda prancha em que o símbolo for utilizado.

      1. Descrições, especificações e quantidades citadas nos documentos
  25. As planilhas, tabelas, quadros e informações textuais de relatórios que indicarem especificações e quantitativos devem refletir fielmente o conteúdo e as quantidades extraídas de modelos BIM finais validados pela SIURB.

    Não deve ser alterada, nos documentos, nenhuma informação oriunda dos modelos, evitando-se assim qualquer inconsistência entre os modelos BIM e os respectivos documentos técnicos derivados.

    1. Atendimento às normas ABNT e outras normativas
  26. A documentação técnica entregue para ou elaborada pela SIURB deve atender aos requisitos de representação gráfica previstos em decretos e normas brasileiras vigentes, bem como a orientações adicionais que venham a ser apresentadas pela SIURB.

    Os documentos técnicos derivados, sempre que contiverem desenhos técnicos, devem atender, não se limitando, às seguintes normas (ou versão atualizada destas):

  27. NBR 6492 – Representação de projetos de arquitetura (ABNT, 2021a);
  28. NBR 16752 – Desenho técnico — Requisitos para apresentação em folhas de desenho (ABNT, 2020a);
  29. NBR 16861 - Desenho técnico - Requisitos para representação de linhas e escrita (ABNT, 2020b);
  30. NBR 17006 - Desenho técnico - Requisitos para representação dos métodos de projeção (ABNT, 2021b);
  31. NBR 17068 - Desenho técnico - Requisitos para representação de dimensões e tolerâncias (ABNT, 2022a);
  32. NBR ISO 80000-1 – Grandezas e unidades. Parte 1: Generalidades (ABNT, 2011b).
  33. Normas adicionais referentes a um tipo de ativo em particular podem ser indicadas em documentos anexos fornecidos pela SIURB.

    1. Carimbo padrão
  34. As pranchas de desenhos técnicos devem apresentar um carimbo (também referido como “legenda” ou “selo”), elemento gráfico que reúne os campos ilustrados na imagem a seguir, bem como contém as informações em seu preenchimento.

    Para facilitar a verificação de consistência entre pranchas e modelos, deve constar nas pranchas o nome dos arquivos de modelo relacionados.

    Todas as informações contidas nos carimbos devem coincidir com as respectivas as informações inseridas nos modelos BIM, conforme a instrução do item 3 - Identificação do empreendimento nos modelos BIM. Caso exista qualquer divergência entre prancha e modelo, prevalecem as informações contidas no respectivo modelo BIM.

    A posição do carimbo na folha e suas dimensões devem seguir a NBR 16752 (ABNT, 2021a) ou versão mais atualizada desta.

    Bibliografia

    ABNT. ABNT NBR 6492, Documentação técnica para projetos arquitetônicos e urbanísticos - Requisitos. Rio de Janeiro, 2021a.

    ABNT. ABNT NBR 15965-1, Sistema de classificação da informação da construção – Parte 1: Terminologia e estrutura. Rio de Janeiro, 2011a. Disponível em: Acesso em: 25 dez. 2023.

    ABNT. ABNT NBR 16752, Desenho Técnico - Requisitos para apresentação em folhas de desenho. Rio de Janeiro, 2020a.

    ABNT. ABNT NBR 16861, Desenho técnico - Requisitos para representação de linhas e escrita. Rio de Janeiro, 2020b.

    ABNT. ABNT NBR 17006, Desenho técnico - Requisitos para representação dos métodos de projeção. Rio de Janeiro, 2021b.

    ABNT. ABNT NBR 17068, Desenho técnico - Requisitos para representação de dimensões e tolerâncias. Rio de Janeiro, 2022a.

    ABNT. ABNT NBR ISO 12006-2:2018. Construção de edificação - Organização de informação da construção. Parte 2: Estrutura para classificação. Brasil, 2018.

    ABNT. ABNT NBR ISO 16739-1, Industry Foundation Classes (IFC) para o compartilhamento de dados pelas indústrias da construção e da gestão de facilities – Parte 1: Esquema de dados. Rio de Janeiro, 2023.

    ABNT. ABNT. ABNT NBR ISO 19650-1, Organização da informação acerca de trabalhos da construção – Parte 1: Gestão da informação usando a modelagem da informação da construção. Rio de Janeiro, RJ.ABNT, , 2022b. Disponível em: Acesso em: 25 dez. 2023.

    ABNT. ABNT NBR ISO 80000-1 - Grandezas e unidades Parte 1: Generalidades. Rio de Janeiro, 2011b.

    CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. SINAPI: metodologias e conceitos. [S. l.]: Caixa, 2015.

    DNIT. SICRO - Sistema de Custos Referenciais de Obras. [S. l.], 2024. Disponível em: https://www.gov.br/dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/custos-e-pagamentos/custos-e-pagamentos-dnit/sistemas-de-custos/sicro. Acesso em: 2 abr. 2025.

    GASPAR, J. et al. Curso “Democratizando BIM - Agentes Públicos”. [S. l.]: ABDI, 2025. Disponível em: Acesso em: 20 maio 2025.

    ISO. ISO 16739-1:2024. Industry Foundation Classes (IFC) for data sharing in the construction and facility management industries. Part 1: Data schema. , 2024. Disponível em: https://www.iso.org/standard/84123.html. Acesso em: 8 fev. 2024.

    MAPTILER. SIRGAS 2000 / UTM zone 23S - EPSG:31983. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://epsg.io. Acesso em: 16 set. 2025.

    PAVLO H. Pavelgritsak: 3d model from point cloud, scan to BIM, point cloud to BIM. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.fiverr.com/pavelgritsak/scan-to-bim-point-cloud-to-bim. Acesso em: 19 maio 2025.

    SIRGAS. SIRGAS2000 | SIRGAS Analysis Centre at DGFI-TUM. [S. l.], 2000. Disponível em: https://www.sirgas.org/pt/sirgas-realizations/sirgas2000/. Acesso em: 19 fev. 2024.

     

    Anexo II – Requisitos para elaboração de modelos BIM

    O anexo Requisitos para elaboração de modelos BIM será fornecido pela SIURB a cada início de projeto e é composto pelas seções a seguir, contendo instruções específicas em complemento a este Caderno. Os requisitos podem variar de acordo com o projeto.

    Seção 1 – Localização

    Seção 3 – Identificação do empreendimento

    Seção 4a – Sistemas de classificação

    Seção 4b – Classes IFC – Elementos Seção 4c – Classes IFC – Espaços Seção 5 – Sobreposições geométricas irrelevantes Seção 6 – Propriedades dos Elementos

  35. Coleção BIM SIURB

    Caderno 3

    Diretrizes para a auditoria de projetos com uso de BIM

    Versão preliminar para consulta pública

    Outubro / 2025

    OBSERVAÇÕES

    Este documento é uma versão preliminar do Caderno 3, para discussão técnica e comentários em consulta pública. A formatação e diagramação deste documento não são finais e serão alteradas posteriormente.

    Sobre a Coleção BIM SIURB

    O desenvolvimento de diretrizes para o uso de BIM que atendam às necessidades de uma instituição da importância da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) é resultado de estudos e pesquisas profundas, que relacionam os objetivos organizacionais da Secretaria aos processos de trabalho baseados em BIM mais atuais.

    Para que esta missão pudesse ser cumprida com excelência, foi criada a Coleção BIM SIURB.

    Escopo do Caderno BIM SIURB 3

    O Caderno 3Erro! Fonte de referência não encontrada. tem por objetivo estabelecer as regras do processo de auditoria de projetos com requisição de modelos BIM, tanto de projetos contratados pela SIURB quanto de projetos elaborados pelas equipes internas de SIURB.

    O Capítulo 1 apresenta os princípios e premissas que orientam a auditoria de projetos como um todo. O Capítulo 2 apresenta os procedimentos de auditoria de modelos BIM e o Capítulo 3 apresenta a auditoria de modelos técnicos derivados. Por fim, são apresentadas as referências citadas ao longo deste Caderno.

     
  36. Introdução
    1. Princípios e premissas
  37. A auditoria de projetos parte do princípio de que o resultado da prestação de serviços de projeto é sempre um modelo BIM, complementado por documentos técnicos derivados, independentemente da denominação atribuída ao processo de trabalho (“metodologia BIM”, “tecnologia BIM”, “plataforma BIM”) ou das ferramentas utilizadas para sua elaboração.

    Com base nesses princípios, a auditoria terá as seguintes premissas: 

  38. A definição dos critérios de auditoria é de responsabilidade da SIURB.
  39. Os critérios de auditoria são objetivos, numericamente mensuráveis, fácil compreensão e transparentes, possibilitando a aferição dos dados e informações auditados por todas as partes, a qualquer momento durante a vigência do contrato; 
  40. Os critérios de medição aplicáveis aos modelos BIM são parte do conjunto de critérios de auditoria e validação do serviço como um todo, sempre que houver entrega de modelos BIM;
  41. A SIURB poderá utilizar quaisquer ferramentas de verificação disponíveis para analisar os arquivos entregues, priorizando o uso de softwares livres e gratuitos. Essa medida visa reduzir custos para a administração pública e incentivar que os projetistas verifiquem seus próprios modelos usando as mesmas ferramentas e critérios definidos neste Caderno.
  42. Durante o processo de auditoria, a SIURB também avaliará aspectos técnicos projetuais – como a pertinência de soluções construtivas, funcionais e estéticas, atendimento a normas técnicas de projeto, entre outros. As ocorrências dessa natureza serão registradas e mensuradas por meio de notificações BCF, como será detalhado no item 2.7 deste Caderno. Ressalta-se, no entanto, que os critérios técnicos de avaliação dos projetos não integram o escopo deste Caderno, por não estarem diretamente relacionados à qualidade documental dos modelos BIM.
    1. Método de auditoria
  43. O método de auditoria empregado pela SIURB na análise dos projetos entregues visa garantir que as informações neles contidas sejam confiáveis, transparentes e acessíveis às partes interessadas. Para tal, a auditoria acontece em duas grandes etapas:

  44. Auditoria de modelos BIM;
  45. O fluxograma a seguir resume o processo de auditoria de projetos:

    Figura 1 - Fluxograma de auditoria de projetos

    As etapas da auditoria são realizadas em sequência, ou seja: apenas após a conclusão da auditoria de modelos BIM é que se inicia a auditoria de documentos técnicos derivados. Quando ambas são concluídas com sucesso, a auditoria é finalizada.

  46. Auditoria de documentos técnicos derivados dos modelos BIM.  
  47. Auditoria de modelos BIM
  48. A auditoria dos modelos BIM se dará a partir da verificação do atendimento aos critérios de elaboração descritos no Caderno 2 e na Planilha de Escopo dos Pacotes. Cada uma das verificações será detalhada a seguir:

  49. Verificação do referenciamento coordenado dos modelos;
  50. Verificação da organização espacial dos modelos;
  51. Verificação da identificação do empreendimento;
  52. Verificação da classificação dos elementos;
  53. Verificação da ocorrência de sobreposições geométricas relevantes;
  54. Verificação do preenchimento das propriedades solicitadas;
  55. Verificação do atendimento a requisições de informação e ocorrências.
  56. A conclusão do processo de auditoria resulta em um Relatório de Auditoria, documento que comprova a verificação dos modelos BIM.

    1. Verificação do referenciamento coordenado dos modelos
  57. Os modelos BIM serão analisados com o objetivo de verificar se:

  58. Possuem um ponto de referência comum, sinalizado pelo Marco digital de referência (MDR);
  59. Apresentam orientação com relação ao Norte idênticas;
  60. Contêm atributos de geolocalização preenchidos de acordo com o sistema geodésico estabelecido (quando se tratar de projeto georreferenciado).
  61. Caso algum dos modelos BIM analisados não atenda aos requisitos, a auditoria é interrompida e é emitido o relatório de auditoria com o status “NÃO APROVADO”.

    Atendendo aos requisitos, a análise avança para a próxima etapa. O avanço será registrado em um documento parcial que irá compor o Relatório de Auditoria ao final do processo, conforme exemplo:

    Figura 2 - Exemplo de relatório de verificação da etapa 1

    1. Verificação da organização espacial dos modelos
  62. Os modelos BIM serão analisados com o objetivo de verificar se possuem sua estrutura hierárquica espacial organizada de acordo com o disposto no Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM e na Planilha de Escopo dos Pacotes.

    Esta verificação será feita em concomitância com a descrita no item 2.3 – Verificação da identificação do empreendimento. Caso algum dos modelos BIM analisados não atenda aos requisitos desta etapa ou do item 2.3, a auditoria é interrompida e é emitido o relatório de auditoria com o status “NÃO APROVADO”.

    Atendendo aos requisitos, a análise avança para a próxima etapa. O avanço será registrado em um documento parcial que irá compor o Relatório de Auditoria ao final do processo, conforme exemplo: Figura 3 - Exemplo de relatório de verificação da etapa 2

    1. Verificação da identificação do empreendimento
  63. Os modelos BIM serão analisados com o objetivo de verificar se contêm os dados de identificação do empreendimento, requisitados no Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM.

    Esta verificação será feita em concomitância com a descrita no item 2.2 – Verificação da organização espacial dos modelos. Caso algum dos modelos BIM analisados não atenda aos requisitos desta etapa ou do item 2.2, a auditoria é interrompida e é emitido o relatório de auditoria com o status “NÃO APROVADO”.

    Atendendo aos requisitos, a análise avança para a próxima etapa. O avanço será registrado em um documento parcial que irá compor o Relatório de Auditoria ao final do processo, conforme exemplo:

    Figura 4 - Exemplo de relatório de verificação da etapa 3

    1. Verificação da classificação dos elementos
  64. Os modelos BIM serão analisados com o objetivo de verificar se os elementos estão classificados de acordo com o documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

    Caso algum dos modelos BIM analisados não atenda aos requisitos, a auditoria é interrompida e é emitido o relatório de auditoria com o status “NÃO APROVADO”.

    Atendendo aos requisitos, a análise avança para a próxima etapa. O avanço será registrado em um documento parcial que irá compor o Relatório de Auditoria ao final do processo, conforme exemplo: Figura 5 - Exemplo de relatório de verificação da etapa 4

    1. Verificação da ocorrência de sobreposições geométricas relevantes
      1. Sobre os tipos de sobreposições geométricas
  65. Com relação ao processo de auditoria de modelos BIM, existem dois tipos de sobreposições geométricas: relevantes e irrelevantes.

    As sobreposições consideradas relevantes (SRs) são as sobreposições entre elementos que:

  66. Podem induzir a erros na produção dos desenhos técnicos;
  67. Podem induzir a erros de execução, montagem, ou instalação do elemento em obra;
  68. Podem ser causa de erros nos levantamentos de quantidades (áreas e volumes, por exemplo).
  69. A figura a seguir mostra um caso típico de sobreposições geométricas relevantes (SRs) entre elementos de modelos BIM de duas disciplinas de instalações prediais.

    Figura 6 – Modelo BIM com sobreposições geométricas relevantes. Fonte: SPObras

    As sobreposições geométricas que não induzem aos problemas acima apontados devem ser consideradas como irrelevantes (SIs). Por exemplo, é esperado que ocorram sobreposições irrelevantes:

  70. entre elementos de pontos de instalações elétricas e paredes;
  71. A exclusão de SIs é feita através da filtragem de elementos pelas respectivas classes primárias (IFC), indicando combinações de classes que resultam em conflitos irrelevantes. Por exemplo, no caso de SIs entre elementos de fundações e o terreno, a instrução deve ser “excluir da checagem os conflitos entre elementos das classes IfcFooting e IfcGeographicElement.TERRAIN”.

    A SIURB apresentará uma lista de combinações de classes IFC dos elementos que estão relacionados a sobreposições geométricas irrelevantes (SIs) para aferir a qualidade dos modelos BIM sob esse critério. O índice usado será o Índice de Sobreposições por Objetos (ISO), descrito no item a seguir.

  72. entre diferentes camadas de paredes;
  73. entre elementos de fundações e a geometria do terreno.  
      1. Métrica
  74. A SIURB utilizará, como métrica, o Índice de Sobreposições por Objetos (ISO) definido abaixo:

    ISO = SR/NO

    em que:

    ISO  = Índice de sobreposições por objeto;

    SR    = Número de sobreposições identificadas como relevantes;

    NO   = Número total de objetos que participam da checagem.

    O ISO deve diminuir conforme a evolução do projeto, o que indica de forma objetiva que os modelos estão melhor compatibilizados geometricamente. O valor ideal do ISO a ser considerado pela SIURB para que seja registrado o avanço desta etapa será aquele que explicite o momento em que o esforço para corrigir as sobreposições relevantes seja contraproducente e antieconômico.

      1. Sobre o processo
  75. Os modelos BIM serão analisados com o objetivo de verificar se os elementos neles contidos atendem às seguintes premissas:

  76. não apresentam sobreposições geométricas relevantes (SRs) entre elementos do próprio modelo BIM (verificação endógena);
  77. não apresentam sobreposições geométricas relevantes (SRs) com elementos de outro modelo BIM das demais disciplinas (verificação exógena).
  78. Esta verificação será feita em concomitância com a descrita no item 2.6 -  Verificação do preenchimento das propriedades solicitadas e 2.7 – Verificação do atendimento a requisições de informação e ocorrências. Caso algum dos modelos BIM analisados não atenda aos requisitos desta etapa ou dos itens 2.6 e 2.7, a auditoria é interrompida e é emitido o relatório de auditoria com o status “NÃO APROVADO”.

    Atendendo aos requisitos, a análise avança para a próxima etapa. O avanço será registrado em um documento parcial que irá compor o Relatório de Auditoria ao final do processo, conforme exemplo:

    Figura 7 - Exemplo de relatório de verificação da etapa 5

    1. Verificação do preenchimento das propriedades solicitadas
  79. Os modelos BIM serão analisados com o objetivo de verificar se foram preenchidas as propriedades solicitadas no documento anexo Requisitos para Elaboração de Modelos BIM.

    Esta verificação será feita em concomitância com a descrita no item 2.5 - Verificação da ocorrência de sobreposições geométricas relevantes e 2.7 - Verificação do atendimento a requisições de informação e ocorrências. Caso algum dos modelos BIM analisados não atenda aos requisitos desta etapa ou dos itens 2.5 e 2.7, a auditoria é interrompida e é emitido o relatório de auditoria com o status “NÃO APROVADO”.

    Atendendo aos requisitos, a análise avança para a próxima etapa. O avanço será registrado em um documento parcial que irá compor o Relatório de Auditoria ao final do processo, conforme exemplo:

  80. Figura 8 - Exemplo de relatório de verificação da etapa 6
    1. Verificação do atendimento a requisições de informação e ocorrências
  81. Os modelos BIM serão analisados com o objetivo de verificar se foram atendidas todas as requisições de informação e ocorrências das partes interessadas, que são comunicadas por meio de notificações BCF.

    Esta verificação será feita em concomitância com a descrita no item 2.5 - Verificação da ocorrência de sobreposições geométricas relevantes e 2.6 - Verificação do preenchimento das propriedades solicitadas. Caso algum dos modelos BIM analisados não atenda aos requisitos desta etapa ou dos itens 2.5 e 2.6, a auditoria é interrompida e é emitido o relatório de auditoria com o status “NÃO APROVADO”.

    Atendendo aos requisitos, a análise avança para a próxima etapa. O avanço será registrado em um documento parcial que irá compor o Relatório de Auditoria ao final do processo, conforme exemplo:

    Figura 9 - Exemplo de relatório de verificação da etapa 7

    Após a conclusão desta etapa, caso os modelos BIM atendam também a todas as verificações anteriores, a auditoria é concluída e é emitido o relatório de auditoria com o status “APROVADO”.  

    1. Fluxograma
  82. O fluxograma a seguir resume os procedimentos para auditoria de modelos BIM descritos ao longo deste capítulo:

    Figura 10 - Fluxograma de auditoria dos modelos BIM

  83. Auditoria de documentos técnicos derivados
  84. A auditoria dos documentos técnicos derivados se dará a partir da verificação do atendimento aos critérios apresentados nas subseções a seguir. A SIURB poderá estipular critérios adicionais, de acordo com as especificidades de cada contratação, que serão registrados nos documentos anexos da contratação.

    Cada uma das verificações será detalhada a seguir:

  85. Verificação da consistência em relação aos modelos BIM;
  86. Verificação do atendimento aos requisitos de representação gráfica.
  87. A conclusão do processo de auditoria resulta em um Relatório de Auditoria, documento que comprova a verificação dos documentos técnicos derivados.

    1. Verificação da consistência em relação aos modelos BIM
      1. Sobre a consistência
  88. Os documentos técnicos derivados compreendem pranchas de desenho técnico, planilhas, e memoriais descritivos, assim como quaisquer outros documentos entregues como resultados da prestação de serviços. Todos devem apresentar consistência com relação aos modelos BIM finais validados na etapa anterior.

    A consistência dos documentos técnicos implica que:

  89. As pranchas que contêm desenhos técnicos – como plantas, cortes, elevações e vistas isométricas – devem reproduzir fielmente o resultado obtido a partir da utilização de ferramentas de corte e/ou vista aplicadas sobre os modelos BIM validados;
  90. As tabelas e relatórios que apresentem quantidades observáveis no modelo BIM – como dimensões, áreas e volumes – devem refletir fielmente as quantidades extraídas dos modelos BIM validados;
  91. Desenhos técnicos não modelados, tais como detalhamentos, ampliações e representações esquemáticas, devem corresponder às dimensões dos elementos aos quais se referem no respectivo modelo BIM validado;
  92. O memorial descritivo deve refletir fielmente as informações geométricas e não-geométricas dos elementos que compõem os modelos BIM validados;
  93. Em caso de ampliações e adaptações de ativos construídos, deve-se confirmar a consistência das representações entregues com a situação pré-existente.
      1. Sobre o processo
  94. Figura 11 - Exemplo de relatório de verificação da etapa 1

    1. Verificação do atendimento aos requisitos de representação gráfica
  95. Os documentos técnicos derivados serão analisados com o objetivo de verificar se atendem aos requisitos de representação gráfica previstos em decretos e normas brasileiras vigentes, listadas de forma não exaustiva no Caderno 2 – Diretrizes para a elaboração de projetos com uso de BIM, bem como a orientações adicionais que venham a ser apresentadas pela SIURB.

    Esta verificação será feita em concomitância com a descrita no item 3.1 - Verificação da consistência em relação aos modelos BIM. Caso algum dos modelos BIM analisados não atenda aos requisitos desta etapa ou do item 3.1, a auditoria é interrompida e é emitido o relatório de auditoria com o status “NÃO APROVADO”.

    Atendendo aos requisitos, a análise avança para a próxima etapa. O avanço será registrado em um documento parcial que irá compor o Relatório de Auditoria ao final do processo, conforme exemplo:

    Figura 12 - Exemplo de relatório de verificação da etapa 2

    Após a conclusão desta etapa, caso os documentos técnicos derivados atendam também a todas as verificações anteriores, a auditoria é concluída e é emitido o relatório de auditoria com o status “APROVADO”.

    1. Fluxograma
  96. O fluxograma a seguir resume os procedimentos para auditoria de modelos BIM descritos ao longo deste capítulo:

    Figura 13 - Fluxograma de auditoria dos documentos técnicos derivados

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